Fumantes passivos têm 30% mais chances de ter câncer de pulmão

Sem querer, podem desenvolver tumores em outros órgãos, como bexiga, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas e rim

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atualizado 29/08/2018 9:47

Quando acende um cigarro, por conta da combustão, o fumante produz cerca de quatro mil substâncias — dessas, 70 são altamente cancerígenas. O que ele inala é importante, porém, a fumaça tem, em média, três vezes mais nicotina e monóxido de carbono e até 50 vezes mais elementos cancerígenos do que o aspirado pelo tabagista. Por serem os componentes mais leves e voláteis, os mais perigosos são aqueles que se espalham pelo ambiente, impregnam cortinas, papel de parede e tapetes.

Logo, quando fuma, o tabagista não está apenas tomando uma decisão em relação à própria saúde, mas está decidindo o futuro de quem o cerca: esposa, marido, pais, filhos e amigos. O fumante passivo, que não coloca o cigarro na boca, mas inala fumaça contra a vontade, tem de 20 a 30% a mais de chance de desenvolver um câncer. Sem querer, pode desenvolver tumores não só de pulmão, mas também em outros órgãos, como bexiga, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas e rim.

Quando acende um cigarro e fuma em ambiente fechado, o fumante também compromete as pessoas que passam ou convivem naquele ambiente. O chamado fumante de terceira mão não tem nada a ver com a história, muitas vezes nem está presente no momento da prática, mas também pode ter a saúde comprometida.

“O câncer de pulmão de uma pessoa que é fumante (ativo, passivo ou de terceira mão) é, em geral, mais agressivo e menos responsivo ao tratamento. O fato de continuar fumando após o diagnóstico também piora o prognóstico. É muito perigoso, um dos mais fatais”, explica o oncologista Fernando Maluf, chefe do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia e fundador do Instituto Vencer o Câncer. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil tem 28.220 novos casos de tumores pulmonares por ano e 90% deles são por conta do cigarro.

Apesar de ser muito perigoso, o câncer de pulmão não é o único decorrente do cigarro e os outros tipos são tão ruins quanto — o de pulmão mata rápido, a expectativa de sobrevivência é de poucos meses, mas espécies diferentes condenam o doente a viver mutilado.

“O tratamento impacta na qualidade de vida. No câncer de boca, muitas vezes, é preciso retirar um pedaço da língua. No câncer de laringe, se tiram as cordas vocais e a pessoa não fala mais. Se remove a bexiga, será necessário usar uma bolsa plástica para armazenar o xixi pelo resto da vida. A pessoa fica mutilada na autoestima, na autoimagem, na qualidade de vida, no convívio social. O câncer de pulmão é o mais agressivo, mas não sei dizer se é o pior”, conta o oncologista Arilto Silva Júnior, do Instituto Onco-Vida/Oncoclínicas.

Existe também uma associação importante da quantidade de anos que se fuma, o número de cigarros e a probabilidade de desenvolver câncer. “Quanto mais tempo exposto à fumaça, maiores as chances de ficar doente no futuro”, ensina o médico. Mas o processo é reversível.

“Independentemente da razão pela qual a pessoa começou a fumar, é preciso tratar a dependência química. Sabemos hoje, pela literatura, que quando a pessoa para de fumar, a chance de desenvolver um câncer no futuro vai caindo gradualmente ao longo dos anos e pode chegar ao ponto de ser como se nunca tivesse colocado um cigarro na boca”, afirma o doutor Maluf.

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