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Na medicina oriental, cada órgão simboliza uma coisa: o útero seria a criatividade, por exemplo. Nessa linha, se uma mulher consegue expor suas ideias e se sente motivada, tem o órgão saudável. Se é sempre tolhida e tem dificuldade em se expressar, teria uma pré-disposição ao câncer de útero. O mesmo nas mamas: os seios teriam ligação com doação, com o cuidar do outro. Quem não consegue estar na posição de amar o próximo sem sofrer com a qualidade do retorno, poderia desenvolver câncer de mama.

Mas, para o mestre da Vedanta (“a filosofia da ioga”) Jonas Masetti, a prevenção é uma questão de identificar perfis, meditar, praticar ioga e fazer exercícios psicoenergéticos. Tudo para afastar os sentimentos e atitudes que podem contaminar os órgãos. Ele conta que, além de uma alimentação saudável, lidar diariamente com as emoções negativas são a chave para um corpo e mente sãos.

A história do mestre é interessante. Aos 28 anos, Jonas largou o emprego fixo no mercado financeiro, os amigos, relacionamentos, apartamento, enfim, tudo. Entrou em um avião e partiu direto para quatro anos de imersão em Vedanta, na Índia. Viveu como um monge, encontrou respostas para suas perguntas, conheceu uma nova cultura. Em 2013, se formou e voltou ao Brasil, onde ensina o conhecimento por aulas on-line.

O mestre em Vedanta conversou com o Metrópoles sobre sua experiência e a relação entre o câncer e o estado emocional do paciente. Confira:

O que é exatamente a Vedanta?
É um conhecimento passado de mestre para discípulo. Ele mostra como uma pessoa pode conseguir o equilíbrio e a felicidade com a vida que ela tem. É um instrumento para buscar a felicidade sem depender do mundo externo. Não é uma religião: pessoas de todas as crenças praticam Vedanta. Também não é ioga propriamente dita, porque a ioga também são exercícios físicos e a Vedanta desenvolve a parte mental, em um trabalho de complemento. A Vedanta é a filosofia do ioga.

Como você conheceu a Vedanta?
Depois de ter passado por vários grupos espirituais. Naquela época, eu trabalhava no mercado financeiro e tinha uma vida que qualquer jovem gostaria de ter. Me divertia muito, tinha relacionamentos afetivos, um trabalho bem-sucedido. Mas estava buscando por uma resposta e achei que a ioga poderia me ajudar. Tive uma conexão com a Vedanta, a filosofia do ioga, porque o professor ensinava as duas coisas. A partir daí, nunca mais parei. A princípio, não larguei minha vida profissional para estudar a Vedanta. Foi um processo bem natural, progressivo, porque eu já conciliava as duas coisas.

Por que decidiu mudar completamente de vida?
Foi mais uma necessidade de viver bem. Eu tinha uma vida muito agitada, uma mente que funcionava muito rápida, era acelerado, tinha ansiedade, dificuldade para dormir. Tudo isso gerou uma pressão em mim e fez com que eu buscasse uma maneira de me reequilibrar dentro das minhas relações e do meu trabalho. Buscar um novo estilo de vida me incentivou a todo momento. A decisão de ir para a Índia e ficar quatro anos vivendo como monge foi o desejo profundo de conhecer a Vedanta na sua origem, como alguém que quer estudar samba e deseja vir ao Brasil — eu já estava estudando há 10 anos. Fui para lá completar minha formação.

Arquivo Pessoal

O que você considera o maior aprendizado nesses anos todos de estudo?
Descobrir como ser amoroso com as pessoas, enxergar o amor mesmo com os defeitos. Em geral, tomamos as falhas do outro como um ataque pessoal. Mas, na verdade, as pessoas têm os seus próprios problemas. E isso me impedia de me conectar com os outros. Então, o maior aprendizado foi conseguir isso por meio do amor, aceitando os defeitos das pessoas e sabendo que muitas vezes elas não vão sanar as minhas expectativas.

Você acredita que o câncer tem algumas razões emocionais. Como é essa relação?
Não só o câncer. Todas as doenças têm uma relação com a mente do paciente. O câncer é uma autodestruição do corpo. É a multiplicação e a proliferação de algo ruim dentro de cada um. Como um suicídio em nível celular. A conexão entre essa energia de autodestruição e o que aquele órgão representa faz os mestres entenderem o perfil do paciente. A partir daí, se define como trabalhar mentalmente e energeticamente esse perfil.

É possível prevenir várias formas de câncer ao mesmo tempo? Como?
Por meio de um trabalho energético e de autoconhecimento. O indivíduo deve expressar o que está dentro dele, mesmo se for algo negativo. O importante é que ele não deixe isso guardado para os pensamentos não consumirem o corpo. Esse é um primeiro método. A segunda maneira é usar a meditação e os mantras para alcançar uma equalização da mente. Por exemplo, se a pessoa está com muita raiva, usamos técnicas como a meditação, ioga e exercícios psicoenergéticos para ajudar a tirar esse sentimento. Usamos ioga, vedanta e meditação como instrumentos de processamento emocional. Esse é o maior tratamento do câncer e de outras doenças do corpo.

Outro ponto é a alimentação. É importante consumir alimentos alcalinos, como melão, espinafre, e não usar açúcar em demasia. Também se recomenda a interrupção do consumo de carne e a adoção de uma dieta integral, sem alimentos processados, baseada em vegetais e legumes e sempre pensando nos grãos: feijão, lentilha, grão de bico.

Uma vez que o câncer está instalado, há algum tratamento ou complemento que a Vedanta sugira?
A indicação é mudar a alimentação e praticar a meditação todos os dias, de forma a deixar sua mente livre de emoções negativas. Eu tenho uma escola on-line em que meus alunos aprendem a Vedanta e praticam a meditação. Muitos deles se curaram dessa forma e o meu grande objetivo é disseminar cada vez mais esta filosofia, a fim de que as pessoas consigam se conectar consigo mesmas e sejam sadias.



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