Malhar de máscara: como será o “novo normal” nas academias do DF?

Conheça o rígido protocolo que deverá ser seguido por alunos e funcionários assim que os centros esportivos da capital reabrirem as portas

atualizado 07/06/2020 13:40

academia em tempos de coronavírusEditoria de arte/Metrópoles

O Sindicato das Academias do Distrito Federal (Sindac) espera receber autorização do governador Ibaneis Rocha (MDB) para reabrir os centros esportivos da capital – fechados há 80 dias para evitar a disseminação do novo coronavírus – dentro de duas semanas. Em entrevista ao Metrópoles, a presidente da associação assegurou que os estabelecimentos estão prontos para retomar às atividades em segurança.

“Elaboramos um protocolo baseado nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir a segurança de todos na reabertura. O documento foi desenvolvido por infectologista da Universidade de São Paulo (USP) e tem medidas que deverão ser seguidas por alunos e funcionários de todas as unidades do DF “, revela Thais Yeleni.

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A expectativa é de que as academias do DF voltem a funcionar em breve

Segundo a líder do sindicato, as normas são mais severas do que as adotadas por alguns países que já permitiram a retomada dessas atividades. “Queremos muito voltar, mas em segurança. Por isso, a rigidez”, pondera.

Entre as medidas de prevenção previstas no manual, estão marcação no chão de distância mínima entre cada pessoa, aferição de temperatura e uso de máscaras de proteção facial.

Há ainda normas para a realização de atividades aquáticas e orientações sobre a troca do filtro de aparelhos de ar-condicionado. Por enquanto, também será vetada a entrada de alunos acima de 60 anos, pertencentes ao grupo de risco da Covid-19.

Vale lembrar que o governo já autorizou a reabertura dos parques de Brasília. Eles voltaram a funcionar no dia 3 deste mês.

Confira o protocolo na íntegra abaixo.

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É seguro voltar agora?

Para Marcos Pontes, clínico-geral do Hospital Santa Lúcia, a reabertura das academias deve acontecer apenas quando a curva de casos do coronavírus estabilizar, ou seja, agora não seria um bom momento. Os números de mortos e infectados pela doença segue batendo recordes.

“Acho precipitado reabrir antes da estabilização dos casos, o que chamamos de efeito platô. De qualquer forma, se decidirem por isso, o uso de máscara de proteção e a higienização das mãos a cada troca de aparelho são medidas essenciais para minimizar os riscos de contaminação”, alerta o médico.

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Uma dúvida comum entre alunos que anseiam pela reabertura dos centros esportivos é como higienizar corretamente os equipamentos antes e depois de cada uso. A respeito disso, o especialista diz: “A limpeza dos equipamentos deve ser responsabilidade dos funcionários das academias. Os alunos devem se concentrar em lavar as mãos e manter distância dos colegas de treino”.

Mudança de comportamento

Parte dos brasilienses recebe bem a notícia de uma possível reabertura em breve. “Não tenho disciplina alguma para malhar sozinha em casa e tenho sofrido os efeitos do sedentarismo. Não vejo a hora de voltar à academia, mesmo sabendo que será difícil malhar de máscara”, conta a dona de casa Anna Lima, de 54 anos.

Por outro lado, há quem tenha se acostumado tanto a malhar em casa durante a quarentena que nem cogita retornar a esse tipo de ambiente.

É o caso da publicitária Maria Eduarda Lustosa, 25. Em vídeo, a brasiliense conta como tem sido prazerosa sua rotina fitness dentro do lar. Ela ainda enumera os motivos para não querer mais malhar em academia:

A gerente de mídias sociais e produtora de conteúdo digital Juliana Bandeira, 27, é outra que não demonstra empolgação com a reabertura dos centros esportivos.

“Não penso em voltar a pagar mensalidade e enfrentar trânsito para treinar. Posso fazer isso no conforto da minha casa”, justifica. A jovem até montou uma miniacademia em sua sala de estar, com tapete de yoga, colchonete e caneleiras.

“Estou conseguindo treinar sete dias por semana sem furar, justamente por ter essa facilidade de já estar ‘na academia’. Afasto o sofá, escolho uma aula virtual e vou. Fora que não tenho gasto, né?”.

Ela chegou a criar um grupo de apoio on-line para mulheres com objetivo de incentivar a prática de atividades físicas durante o isolamento social.

Apps fitness

Assim como as entrevistadas, boa parte das pessoas que tem suado a camisa na quarentena usa aplicativos fitness para nortear seus treinos, segundo pesquisa da AppsFlyer.

De acordo com o levantamento, no Brasil, as plataformas digitais voltadas para o universo saudável tiveram um aumento de 226% no número de instalações nos últimos meses.

Mulher fazendo exercício em casa
Apps fitness crescem 226% no Brasil durante a quarentena

A presidente do Sindac, Thais Yeleni, acredita, no entanto, que esse estrondoso crescimento não afetará o número de alunos das academias quando tudo voltar ao normal.

“Não vemos os apps e aulas on-line como competidores. Nada se compara a treinos personalizados e acompanhados por profissional”, declara.

Maior valorização da prática de exercícios

O que conforta os donos de academia, profundamente prejudicados pela crise econômica agravada pelo coronavírus, é a esperança de que a atividade física seja mais valorizada no pós-pandemia.

“Agora, todo mundo entende a importância de manter a saúde em dia. E o exercício físico é fundamental para isso”, ressalta Henrique Pereira, proprietário da Evolve Gymbox, rede de academias com oito unidades no DF e entorno.

“Quando houver a reabertura, suponho que teremos um boom de novas inscrições, compensando todo tempo perdido”, torce.

Apesar de demonstrar ansiedade para voltar à ativa, o empresário diz que é melhor esperar do que reabrir de maneira precipitada e acabar tendo que fechar as portas novamente. “Esse é o maior pesadelo”, confessa. 

A rede de academias sob comando dele perdeu 45% dos alunos devido à pandemia.

Sobre o impacto econômico da Covid-19 no setor, a líder do Sindac revela que ainda é cedo para estimar.

“O que sabemos é que, no DF, ao menos 48% dos funcionários foram demitidos”, lamenta Thais Yeleni. Assim como Henrique, ela agarra-se na esperança de que a prática de exercícios físicos será mais valorizada quando o “pesadelo” coronavírus passar.

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