Maquiagem para malhar: exagero ou um cuidado necessário?

Marcas de beleza estão lançando produtos para a hora do treino. Mas, é saudável usar make o tempo todo? Especialistas respondem

atualizado 19/07/2021 9:50

mulher maquiada segurando pesos na academiaGetty Images

Fazer as pazes com nossos poros, olheiras e espinhas pode ser mais difícil do que parece. Queridinha e aliada ao universo da beleza, a maquiagem funciona como um “filtro” da vida real, e se não for tratada de maneira saudável, pode querer te acompanhar para todos os cantos, inclusive os mais inusitados – como a academia.

Sair do trabalho e ir direto para o treino, ou até querer esconder algumas manchinhas e espinhas… Praticamente toda mulher já fez alguma atividade física de maquiagem uma vez. É possível que cobrir as imperfeições te dê um empurrãozinho na autoestima, mas a verdade é que a cobertura, misturada ao suor, provavelmente vai causar danos severos à sua pele.

A explicação é simples: durante o treino, o corpo aumenta a temperatura e os vasos dilatam, assim como os poros. Por conta desse processo, a pele precisa respirar, e se ela estiver coberta com camadas de base, pó, corretivo, blush e iluminador, esse processo será prejudicado, além de levar ao crescimento excessivo de bactérias. O resultado? Aquela espinha que você queria tanto cobrir, pode se multiplicar.

“Usar maquiagem pode causar dano à cútis, em qualquer situação. No caso da atividade física, o quadro é ainda mais grave. Quanto mais tempo a gente mantém a pele coberta por algum tipo de cosmético – mesmo os mais adequados -, maior dificuldade ela tem de exercer sua função diária”, elucida a dermatologista Patrícia Ormiga, especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

A orientação, no entanto, não é completamente restritiva. Quando se fala em exercícios ao ar livre, é importante adicionar outra variável à equação. Em busca de uma proteção contra a luz do sol efetiva, o filtro solar com cor adiciona uma camada de proteção extra, como explica a dermatologista.

Além da preservação química pelos componentes, a tonalidade proporciona uma barreira física, que duplica a segurança. Os hidratantes labiais coloridos também podem tornar os lábios mais corados, cheinhos e exuberantes enquanto oferecem proteção.

“Filtro” da vida real

Para diminuir os efeitos prejudiciais à cútis, marcas de beleza têm oferecido opções específicas para a atividade física: desde bases sem óleo, alternativas à prova d’água e hipoalergênicas para driblar o suor, iluminadores e pós com acabamentos matte e mais sequinhos. Porém, até que ponto estar sempre com a pele perfeita é necessário?

Segundo a psicóloga especialista em análise comportamental Jéssika Neris, o próprio ambiente das academias ou de centros esportivos pode ser um pouco hostil. O espaço, que deveria servir para a promoção da saúde, acaba virando um ambiente onda há muitas comparações, o que gera um sentimento de frustração.

De acordo com a especialista, “mulheres são ensinadas a vida inteira que a aparência é uma das coisas que mais importa, e que isso é a primeira coisa que irão reparar na gente. A grande questão é como essas pressões estão consumindo a nossa vida. Até para fazer uma atividade física precisamos estar perfeitas?”, questiona.

“Se sentir bonita de determinada forma, que não seja natural, não é necessariamente um problema. Agora, só conseguir viver e se sentir minimamente tolerável dessa determinada forma, é”.

Jéssika Néris, psicóloga clínica.

Sob todos os olhares

O incômodo com o ambiente da academia, cheio de olhares “de cima a baixo” e julgamentos, causou incômodo em Izabella Souza, de 23 anos. A estudante de direito conta que nunca teve o costume de usar maquiagem no dia a dia, porém, com a pandemia, o quadro de acne no rosto dela piorou. Foi quando ela sentiu a necessidade de investir em uma cobertura além da máscara de proteção facial.

“Mesmo usando a máscara, eu tinha medo de que se precisasse retirar para beber água, por exemplo, as pessoas iam ver meu rosto cheio de espinhas. Passei a usar mais maquiagem”, conta.

Antes de ir para a atividade funcional ao ar livre, quando o quadro de espinhas estava mais acentuado, ela até acordava mais cedo para passar uma camada de base, corretivo, e um pouco de blush. Em tratamento com acompanhamento da dermatologista, as inflamações na pele diminuíram, e ela conta que passou a usar menos cosméticos.

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Para quem, mesmo com os alertas, ainda faz questão de investir na maquiagem, a recomendação da dermatologista Eleolina Kaled, do Hospital Marcelino Champagnat, é tomar um cuidado extra com qualquer produto que possa causar alergias, e escolher a maquiagem correta para cada tipo de pele – com auxílio de um médico especialista.

Ela também faz um alerta: a região dos olhos exige ainda mais cautela. Até os rímeis à prova d’água podem causar alergia. O uso recorrente de demaquilante também é capaz de irritar a região mais sensível da face.

“Além disso, perfumes não são uma boa ideia. Em contato com o suor, eles podem causar dermatites ou outros problemas, até por conta da exposição solar”, orienta.

Camada extra de proteção

Para proteger a cútis, a dermatologista Natália Souza Medeiros, médica do grupo Santa, ensina o passo a passo: “antes de ir para a academia, é fundamental fazer a limpeza do rosto. Depois, seguir para uma hidratação com um produto de toque seco que seja absorvido mais facilmente e, a seguir, o protetor solar”.

Além de evitar um contato prejudicial da derme com os raios solares, o protetor que agrega tonalidades à cútis também contribui para uniformizar a pele, como faria uma base. “Se for investir em cosméticos, priorize o filtro solar com cor – de preferência oil free, com controle de oleosidade – e o hidratante labial”, aconselha a médica. Qualquer produto, além disso, pode ser um problema.

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