Acne Positivity: médica explica onda virtual que propõe “amor às espinhas”

Movimento ganha adesão no Instagram e promove aceitação à acne. Médica, porém, alerta sobre cuidados necessários

atualizado 11/08/2020 10:46

Morlawars Doctor, Flickr

Com a pandemia de coronavírus, muitas mulheres passaram a trabalhar em esquema de home office e, com isso, abriram mão do uso da maquiagem. Algumas delas aproveitaram a oportunidade para criar uma nova relação com a própria imagem. Os cabelos brancos já não incomodam mais. As estrias, antes um problema, viraram “bordados que contam histórias”. E as marcas na pele falam sobre as deliciosas vivências que elas já passaram. Agora, chegou a vez de ressignificar a acne.

Nas redes sociais, cresce a quantidade de postagens com a bandeira #AcnePositivity, algo muito semelhante ao movimento Body Positive, mas que prega a autoaceitação de um rosto (e corpo) com espinhas.

A onda ganhou fôlego no exterior quando a modelo Kendall Jenner deixou as marcas no rosto aparentes durante o Globo de Ouro, no ano passado. À época com 22 anos, a jovem foi aplaudida pela coragem e pela forma serena como lidou com as críticas. Antes dela, outras estrelas – na lista, entram Cameron Diaz, Keira Knightley e Emma Stone – fizeram questão de aparecer de cara limpa após anos se envergonhando da própria cútis.

Instagrammers gringas, como Em Ford, fazem parte da corrente de autoaceitação. No Brasil, Flávia Pavanelli e outras personalidades têm feito posts recorrentes sobre a temática #AcnePositivity.

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“O movimento é muito importante para que seja um instrumento de autoaceitação, ainda mais nessa época de redes sociais, na qual vivemos uma perfeição virtual ilusória”, defende a médica dermatologista Fernanda Nichelle.

Ela alerta, porém, que a acne é uma doença inflamatória e pode ser um sinal de alterações metabólicas, endocrinológicas e hormonais, e requer acompanhamento com um profissional. “As pessoas não devem sentir vergonha de postar nas redes sociais sua pele ao natural mas, quando se trata de doenças inflamatórias, temos que buscar um tratamento apropriado”, elucida. Se há inflamação, dificilmente haverá um quadro 100% saudável.

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Saúde mental

Mais que abalar a autoestima, a acne pode gerar consequências psicológicas em quem não consegue lidar com ela.

Segundo estudo publicado pelo British Journal of Dermatology, pessoas com espinhas correm um risco 63% maior de ter depressão.

Por isso, a dermatologista destaca a importância de equilibrar, também, a saúde mental. “No caso de um diagnóstico de depressão, devemos, além de tratar a acne, encaminhar o paciente ao psiquiatra para um tratamento multidisciplinar”, finaliza a especialista à frente da clínica AC – Medicine Aesthetic Clinic.

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