Artrose no Carnaval: médico dá dicas para proteger as articulações
Ritmo intenso do Carnaval pode agravar dores articulares; ortopedista alerta e dá orientações para evitar lesões
atualizado
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O Carnaval é sinônimo de festa, longas caminhadas, dança e horas em pé. Mas, para quem convive — ou ainda não sabe que convive — com a artrose, o esforço excessivo pode transformar a folia em dor. Cada vez mais comum entre adultos jovens, a doença exige atenção redobrada em períodos de atividade física intensa.
Entenda
- Artrose não atinge apenas idosos e cresce entre adultos jovens
- Excesso de esforço no Carnaval pode agravar sintomas
- Dor persistente não deve ser tratada como algo normal
- Cuidados simples ajudam a proteger as articulações
Tradicionalmente associada ao envelhecimento, a artrose deixou de ser um problema restrito à terceira idade. O avanço está ligado a fatores como excesso de peso, sedentarismo e sobrecarga articular, cada vez mais presentes na rotina da população.
Durante o Carnaval, esse cenário se intensifica. O aumento do ritmo de atividades físicas, as longas caminhadas atrás dos blocos, a dança repetitiva e o impacto constante sobre joelhos e quadris podem acelerar o desgaste das articulações — especialmente em pessoas que já apresentam sinais da doença, muitas vezes sem diagnóstico.
Para o médico ortopedista Guilherme Morgado Runco, o período exige atenção especial ao corpo.
“A artrose não é mais uma doença exclusiva da terceira idade. Cada vez mais vemos adultos jovens com queixas articulares, e períodos de esforço intenso, como o Carnaval, podem agravar sintomas que já estavam presentes”, explica.
Quando a dor deixa de ser normal
A artrose é uma doença degenerativa caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem, atingindo principalmente joelhos, quadris, coluna e mãos. Entre os sintomas mais comuns estão dor persistente, rigidez, inchaço e dificuldade de movimento.
Segundo o especialista, o erro mais frequente é ignorar esses sinais.
“Desconfortos pontuais podem acontecer, mas dor frequente, rigidez ao acordar ou limitação de movimentos não devem ser normalizadas. Esses sintomas indicam que a articulação precisa de avaliação médica”, alerta Guilherme.

5 dicas para proteger as articulações no Carnaval
1. Respeite os limites do corpo
Evitar longos períodos de esforço contínuo e intercalar momentos de descanso é fundamental. “O corpo dá sinais claros de sobrecarga. Ignorá-los pode acelerar o desgaste da articulação”, afirma o ortopedista.
2. Não trate a dor como algo normal
Se a dor persistir ou aumentar, a orientação é interromper a atividade. “A dor é um sinal de alerta. Insistir, mesmo que momentaneamente seja tolerável, costuma piorar o quadro após o repouso”, reforça.
3. Evite a automedicação
O uso indiscriminado de analgésicos e anti-inflamatórios pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico.
“Tomar remédios por conta própria não resolve o problema e ainda traz riscos à saúde das articulações”, explica.

4. Atenção ao peso e à hidratação
O excesso de peso aumenta a sobrecarga, especialmente em joelhos e quadris. Já a hidratação ajuda a manter o equilíbrio do organismo durante o esforço físico prolongado.
5. Invista em acompanhamento médico e fortalecimento muscular
Fortalecer a musculatura é uma das formas mais eficazes de proteger as articulações. “Músculos bem condicionados funcionam como uma proteção natural e ajudam a retardar a progressão da artrose”, destaca o especialista.
Diagnóstico precoce faz diferença
Identificar a artrose precocemente permite tratamentos mais conservadores e eficazes, preservando a mobilidade e a qualidade de vida. Em casos mais avançados, a ortopedia dispõe de técnicas e tecnologias que ampliam as possibilidades de recuperação funcional.
“Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as chances de controlar a evolução da artrose e manter autonomia e mobilidade ao longo dos anos”, conclui Guilherme Morgado Runco.
No Carnaval, curtir a festa é importante — mas ouvir o corpo também é parte essencial da folia.
