Após demissão, homem cria projeto para alimentar dezenas de pessoas
Após ser demitido, um texano se juntou a um amigo para investir em um projeto que alimenta pessoas em situação de rua

A demissão que parecia uma adversidade acabou mudando a vida de Kaleb Blain — e a de dezenas de pessoas em situação de rua em Waco, no Texas (EUA). Aos 36 anos, ele transformou a paixão pelo churrasco em um projeto comunitário que, toda quarta-feira, garante comida e apoio a quem mais precisa.

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Em entrevista a um portal norte-americano, Blain contou que trabalhava atendendo chamadas de emergência no 911. Há cerca de quatro anos, decidiu mudar de área e passou a atuar em restaurantes até perder o emprego em dezembro do ano passado. Foi então que, ao lado do amigo David, começou um projeto simples: preparar marmitas para distribuir pela cidade.

A iniciativa rapidamente ganhou outro significado. Durante as entregas, Blain passou a criar vínculos com as pessoas atendidas e percebeu necessidades que iam muito além da alimentação.
Ao conversar com elas, entendeu dificuldades diárias relacionadas ao acesso à água potável, energia e cuidados médicos — especialmente durante os meses de calor intenso no Texas. “Ver essas pessoas sem coisas que eu considero garantidas todos os dias me impactou muito”, disse.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & Estilo“Tem uma senhora lá, a gente chama de ‘mãe da casa’. Ela é mais velha, cuida de todo mundo, e eu fui me despedir dela e tudo o que ela conseguiu fazer foi levantar o braço para pegar minha mão. Ela simplesmente desmaiou”, relatou.

Com um pequeno defumador no quintal de casa, ele começou a preparar refeições para cerca de 30 pessoas por semana. Para alimentar mais gente gastando pouco, o cardápio costuma incluir opções como cachorro-quente, chili e carne de porco desfiada.
Além disso, surgiu uma parceria com um restaurante local para ampliar as refeições oferecidas.
Ajuda mútua
Mais do que servir comida, Blain diz que o projeto mudou a maneira como ele enxerga a realidade das pessoas em situação de rua.
A convivência constante fez cair estereótipos e mostrou histórias parecidas com as de qualquer outra pessoa — com a diferença de não terem um lar. “Isso realmente te dá um maior senso de propósito e de identidade. Te faz ser grato pelo que você tem e animado com o que você pode oferecer no futuro”, destacou.

A causa também carrega uma motivação pessoal. Em 2015, ele perdeu o irmão mais novo, aos 22 anos, vítima de uma overdose de heroína. Ao encontrar jovens em situações semelhantes, revive parte dessa dor e sente que, de alguma forma, está transformando a perda em algo capaz de ajudar outras pessoas.
“Ele e eu éramos melhores amigos. Até hoje, é a maior perda que já sofri. E quando vou lá embaixo, pelo menos todas as vezes, vejo algum garoto de 19 ou 20 anos, e eles estão na mesma situação”, afirmou.
Projeto em expansã0
Com o crescimento da iniciativa, nasceu a 86 Hunger, criada para reunir voluntários e ampliar a rede de apoio. Hoje, o grupo atua em parceria com organizações locais para distribuir itens essenciais, como produtos de higiene, roupas, meias e medicamentos de emergência.

Agora, Blain sonha mais alto: quer abrir um espaço físico capaz de oferecer refeições e água fresca diariamente. Enquanto arrecada recursos para comprar um defumador maior, ele segue movido pela mesma ideia que deu origem ao projeto: fazer da comida uma forma de cuidar da comunidade. “Não acredito que uma família deva pagar tanto por um churrasco”, concluiu.



