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Vida & Estilo

Adultos assistem a dramas adolescentes em busca de alívio emocional

Terapeutas explicam o gatilho psicológico e a onda de nostalgia que fazem adultos devorarem séries sobre romances e dilemas adolescentes

29/06/2026 11:21, atualizado 29/06/2026 12:04
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Imagem colorida de adolescentes em escola

Tramas que acontecem em colégios, primeiros namoros e desilusões amorosas, há muito tempo, deixaram de ser exclusividade dos jovens. Atualmente, uma enorme parcela do público adulto se vê encantada por produções focadas em crises de identidade, amizades intensas e paixões avassaladoras, que costumam estar ligadas aos adolescentes. 

De acordo com especialistas em saúde mental ouvidos pelo Newsweek, as conexões afetivas dessas histórias conversam diretamente com as nossas próprias vivências, o que independe da idade. O interesse do público maduro por essas produções acende o alerta de plataformas de streaming, que investem pesado no formato.

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O fenômeno de audiência de Overcompensating

Os recentes lançamentos provam que os dramas adolescentes e universitários possuem um espaço gigante no mercado de streaming. Um exemplo claro disso é o sucesso de Overcompensating, série da Amazon Prime Video. A produção rapidamente conquistou uma audiência massiva e barulhenta nas redes sociais, ao retratar, de forma ácida e romântica, os altos e baixos da vida jovem.

A narrativa acompanha as jornadas emocionais, os tropeços e os desajustes de estudantes na tentativa de se encontrar em um novo ambiente, equilibrando humor e vulnerabilidade. Esse formato de história, impulsionado por sentimentos à flor da pele, transformou a série em um dos maiores fenômenos recentes da plataforma.

Capa colorida de Overcompensating
Overcompensating acompanha as idas e vindas de um jovem tentando se encontrar no ambiente universitário. Embora ambientada na faculdade, a série atrai tanto o público adulto quanto os adolescentes, com suas neuras e paixões.

Por que o público adulto ama essas histórias?

O hábito de maratonar séries é liderado justamente pelas gerações mais jovens de adultos, que preferem temporadas lançadas de uma só vez e episódios mais longos. A terapeuta familiar Alexandra Foglia aponta que o grande trunfo dos dramas adolescentes é transportar o espectador de volta para uma fase da vida em que as emoções eram vividas sem filtros, medos ou travas sociais.

Segundo Foglia, assistir a essas séries funciona como um portal para um período em que éramos “emocionalmente crus e sem muitas das defesas sociais, responsabilidades e paredes emocionais que se formam mais tarde na vida”.

Nostalgia e o conforto 

Para a terapeuta Kati Morton, a psicologia por trás desse apego envolve uma forte dose de nostalgia. Mesmo para quem teve uma juventude difícil e estressante, assistir a uma versão roteirizada e esteticamente bonita desse período funciona como uma espécie de “reparação emocional”. Segundo a especialista, esses ambientes criam um espaço “onde relacionamentos parecem mais compreensíveis, previsíveis ou emocionalmente intensos, de uma maneira contida”.

Além disso, as tramas adolescentes trazem o conforto de roteiros previsíveis, com vilões claros, paixões intensas e finais bem amarrados. Essa estrutura reduz o cansaço mental de quem lida com o estresse crônico e com os relacionamentos cheios de ambiguidades da vida real, servindo como um porto seguro e relaxante para a mente.

Um espaço seguro 

Essas séries também abrem um canal seguro para que os adultos analisem suas próprias dinâmicas afetivas. Enredos focados em lealdade, dores de rejeição e formação de caráter permitem que o telespectador revisite seus próprios padrões de apego e traumas antigos, sem correr risco real.

Esse processo é ainda mais comum em pessoas que sentem que não aproveitaram a juventude como gostariam ou que carregam pendências emocionais daquela época. No fim das contas, acompanhar esses personagens é uma forma acolhedora de lembrar que ser diferente, vulnerável ou passar por fases de transição não é algo ruim – gera empatia e acolhimento com o nosso próprio passado.