13 mil anos: carvalho mais velho do mundo vira alvo de disputa judicial
Após disputa judicial, acordo garante preservação de carvalho milenar, afastando as obras de um empreendimento imobiliário
atualizado
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O futuro do carvalho mais antigo do mundo está garantido após grupos de conservação, autoridades municipais e uma incorporadora imobiliária chegarem a um acordo sobre um novo projeto de desenvolvimento no sul da Califórnia. Segundo informações da SFGate, o carvalho de Jurupa, uma colônia clonal de carvalhos de Palmer com cerca de 13.000 anos de idade, corria o risco de ser impactado por um grande empreendimento vizinho. O consenso foi alcançado 18 meses após um consórcio de grupos processar a cidade de Jurupa Valley, em 2024, resultando na ampliação da área de preservação ao redor do organismo milenar.
Entenda
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O organismo: conhecido também como carvalho de Hurungna, o Carvalho de Jurupa é uma colônia clonal de Quercus palmeri que cobre cerca de 24 metros nas montanhas de Jurupa (Condado de Riverside). Com 13 mil anos, ele se reproduz por clonagem, sendo um dos organismos vivos mais antigos do planeta e de extrema importância cultural para a indígena Nação Kizh.
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O projeto original: batizado de Rio Vista, o empreendimento planejado pela incorporadora Richland Communities previa se estender por mais de 900 acres. O projeto incluía 1.700 unidades residenciais, um parque empresarial e uma nova escola, chegando a ficar a apenas 450 pés (cerca de 137 metros) de distância da árvore.
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O impasse judicial: em 2024, opositores processaram a cidade exigindo a proteção de 100 acres ao redor da árvore. Grupos como o Centro para a Diversidade Biológica argumentavam que as obras invadiriam o habitat, consumiriam água subterrânea a ponto de matar a planta e que o município falhou em reduzir riscos de incêndios, emissões de gases de efeito estufa e danos à vida selvagem.
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O acordo final: após um ano e meio, as partes concordaram em proteger quase 55 acres ao redor do carvalho, empurrando o ponto mais próximo do empreendimento para 1.000 pés (aproximadamente 300 metros) de distância. Além disso, a Nação Kizh receberá 500 acres de terra na área, conforme um acordo anterior.
Com o desfecho do caso, os riscos que ameaçavam a integridade da colônia clonal foram severamente minimizados.
Além de afastar a construção das moradias e do centro empresarial, a nova delimitação do terreno visa salvaguardar os recursos hídricos subterrâneos essenciais para a sobrevivência do vegetal, que se mantinha vulnerável às alterações ambientais que o megaprojeto original causaria.

Aruna Prabhala, advogada sênior do Centro para a Diversidade Biológica, expressou alívio com o resultado, destacando o direcionamento das construções para longe de uma espécie que não pode ser encontrada em nenhum outro lugar do mundo.
Segundo a advogada, o acordo não apenas protege o espécime milenar, mas também facilita a circulação e o bem-estar dos animais nas encostas da região, servindo como um exemplo prático da eficácia das leis ambientais da Califórnia em resguardar heranças naturais para as próximas gerações.
Diante das resoluções, a revista People buscou posicionamentos formais com o prefeito da cidade de Jurupa Valley e com a Richland Communities, responsável pelas obras do Rio Vista, mas os mesmos não enviaram uma resposta imediata até o fechamento das informações.
