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“Silêncio”: Scorsese e o cinema como ato religioso

Um dos mais celebrados diretores americanos, Scorsese flertou com a carreira de padre na juventude. “Silêncio” é o seu mais recente filme

atualizado

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Divulgação/Montagem
martin scorsese
1 de 1 martin scorsese - Foto: Divulgação/Montagem

A cena mais recorrente em “Silêncio”, novo filme de Martin Scorsese, envolve o padre Rodrigues (Andrew Garfield) atormentado por conflitos internos. “Deus ouve as preces, mas não responde”. Ou “Deus ouve os gritos de dor?”.

Ele viajou ao Japão com Garupe (Adam Driver) em busca de seu mentor (Liam Neeson), suspeito de ter cometido apostasia. Lá, vê dezenas de fiéis dispostos a morrer nas mãos de intolerantes. Deus vê tudo isso em silêncio? Ele está mesmo lá em cima?

A tribulação de Rodrigues, um jesuíta do século 17, é a mesma de tantos outros personagens de Scorsese, um cineasta capaz de combinar, às vezes no mesmo sujeito, criminosos e religiosos, assassinos e pregadores.

Scorsese: um cinema de devotos e apóstatas (parte 1)

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12 imagens
"Sexy e Marginal" (1972)
"Caminhos Perigosos" (1973)
"Alice Não Mora Mais Aqui" (1974)
"Taxi Driver" (1976)
"New York, New York" (1977)
"Quem Bate à Minha Porta?" (1967)
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"Quem Bate à Minha Porta?" (1967)

Reprodução/Mubi
"Sexy e Marginal" (1972)
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"Sexy e Marginal" (1972)

Reprodução
"Caminhos Perigosos" (1973)
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"Caminhos Perigosos" (1973)

Reprodução/Red List
"Alice Não Mora Mais Aqui" (1974)
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"Alice Não Mora Mais Aqui" (1974)

Reprodução/Warner
"Taxi Driver" (1976)
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"Taxi Driver" (1976)

Reprodução/Columbia
"New York, New York" (1977)
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"New York, New York" (1977)

Reprodução/MGM
"Touro Indomável" (1980)
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"Touro Indomável" (1980)

Reprodução/Warner
"O Rei da Comédia" (1982)
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"O Rei da Comédia" (1982)

Reprodução/Fox
"Depois de Horas" (1985)
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"Depois de Horas" (1985)

Reprodução/Warner
"A Cor do Dinheiro" (1986)
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"A Cor do Dinheiro" (1986)

Reprodução/Touchstone
"A Última Tentação de Cristo" (1988)
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"A Última Tentação de Cristo" (1988)

Reprodução/Universal
"Os Bons Companheiros" (1990)
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"Os Bons Companheiros" (1990)

Reprodução/Warner

 

Por ser o popular diretor de “Os Bons Companheiros” (1990), “Cassino” (1995) e “Os Infiltrados” (2006), ele costuma receber a grife de “autor de filmes de máfia”. Mas a carreira de Scorsese mostra que ele é muito mais um camaleônico andarilho transitando entre gêneros diversos do que um artista de uma nota só.

Se existe uma constante nos filmes de Scorsese, é a inclinação para personagens intensos, algo decadentes, em geral perturbados por dilemas que envolvem alienação, solidão, violência. Em “Taxi Driver” (1976), Travis Bickle, a mais famosa dessas personas, viveu a Guerra do Vietnã e vaga por Nova York tentando consertar um mundo que ele considera podre, sujo.

Scorsese: um cinema de devotos e apóstatas (parte 2)

“Silêncio”: Scorsese e o cinema como ato religioso - destaque galeria
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"A Época da Inocência" (1993)
"Cassino" (1995)
"Kundun" (1997)
"Vivendo no Limite" (1999)
"Gangues de Nova York" (2002)
"Cabo do Medo" (1990)
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"Cabo do Medo" (1990)

Reprodução/Universal
"A Época da Inocência" (1993)
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"A Época da Inocência" (1993)

Reprodução/Columbia
"Cassino" (1995)
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"Cassino" (1995)

Reprodução/Universal
"Kundun" (1997)
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"Kundun" (1997)

Reprodução/Buena Vista
"Vivendo no Limite" (1999)
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"Vivendo no Limite" (1999)

Reprodução/Paramount
"Gangues de Nova York" (2002)
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"Gangues de Nova York" (2002)

Reprodução/Miramax
"O Aviador" (2004)
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"O Aviador" (2004)

Reprodução/Warner
"Os Infiltrados" (2006)
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"Os Infiltrados" (2006)

Reprodução/Warner
<b>Ilha do Medo.</B> Teddy Daniels vai investigar o desaparecimento de um paciente em um hospital psiquiátrico para criminosos e é tomado por estranhas visões. Com Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo
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Ilha do Medo. Teddy Daniels vai investigar o desaparecimento de um paciente em um hospital psiquiátrico para criminosos e é tomado por estranhas visões. Com Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo

Reprodução/Paramount
A Invenção de Hugo Cabret, de (2011), é um dos destaques da programação
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A Invenção de Hugo Cabret, de (2011), é um dos destaques da programação

Reprodução/Paramount
"O Lobo de Wall Street" (2013)
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"O Lobo de Wall Street" (2013)

Reprodução/Paramount
"Silêncio" (2016)
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"Silêncio" (2016)

Imagem Filmes/Divulgação

 

Esses universos particulares de Scorsese são habitados por vários outros “anjos caídos”. Figuras que se julgam deslocadas, mas soam tão falhas quanto o mundo que as rodeia. O detetive de “Ilha do Medo” (2010) tateia ilusões, dois melhores amigos ambicionam a vida do outro em “Cassino” (1995), o paramédico de “Vivendo no Limite” (1999) parece incapaz de salvar a própria vida da insanidade.

“Silêncio” filia-se diretamente a um certo tipo de produção que Scorsese realiza de tempos em tempos: dramas históricos de fundo religioso, mas tão atordoantes quanto seus filmes de máfia.

Se “Kundun” (1997) lida com opressão e “A Última Tentação de Cristo” (1988) ousa reimaginar a paixão do Messias, “Silêncio” é a peça meditativa que faltava em uma obra marcada por personagens tão devotos quanto apóstatas.

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