Análise: governadores de esquerda descolam de Lula rumo ao centro

Rui Costa (PT) e Renato Casagrande (PSB) defendem mudanças nos discursos da oposição em relação à economia e a acordos políticos

atualizado 15/12/2019 13:21

Divulgação

Pelo menos dois governadores do campo da esquerda dão sinais de busca de um caminho mais conciliador com o centro da política brasileira. Na prática, afastam-se do discurso mantido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) depois de sair da cadeia.

Em entrevistas deste sábado (14/12/2019), os governadores da Bahia, Rui Costa (PT), e do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), voltaram a manifestar posições dissonantes em relação à postura predominante entre os petistas. Ambos criticam a polarização entre a esquerda e o governo Bolsonaro nos termos predominantes hoje.

Costa (foto em destaque) disse ao Uol que o ex-presidente deveria adotar um tom conciliador em suas falas, como no tempo do Palácio do Planalto. Recomendou ao líder petista o caminho da pacificação do país, “cortar a discriminação e o ódio” disseminado por setores bolsonaristas

O baiano defendeu ainda um ajuste do discurso em temas econômicos, sobretudo sobre recursos privados. Mostrou-se favorável ao marco legal do saneamento, aprovado pela Câmara contra o voto do PT.

Também ao Uol, Casagrande propôs à esquerda levantar bandeiras como responsabilidade com as contas públicas e segurança. Sugeriu, ainda, a retomada da defesa de padrões éticos na política. 

Não é primeira vez que Costa e Casagrande tornam públicas suas opiniões sobre estratégias da oposição. O governador da Bahia até admite a possibilidade de se candidatar ao Planalto em 2022. O do Espírito Santo discordou da expulsão de deputados do PSB que votaram a favor da reforma da Previdência.

O capixaba estimula as conversas com partidos como PDT, PV e Rede. Seria a construção de um campo não petista na centro-esquerda. 

As posições de Costa são contestadas entre aliados. Candidato ao Planalto derrotado em 2018, Guilherme Boulos (PSol) afirma que, diante do governo Bolsonaro, não é hora de buscar pacificação.

Antes das próximas eleições presidenciais, as tratativas entre partidos ainda terão de passar pelo teste municipal de 2020. Não se pode, portanto, antecipar os desdobramentos destas ideias. 

Sabe-se, no entanto, que alguns representantes da esquerda procuram alternativa à estratégia derrotada em 2018.

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