Lula sai da cadeia e ataca “lado podre” da PF, do MP e Bolsonaro

Ex-presidente disse que os apoiadores no acampamento o ajudaram a lidar com os quase 600 dias de prisão em Curitiba

Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão ConteúdoCassiano Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo

atualizado 08/11/2019 18:55

Ao sair da prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu aos integrantes do acampamento Lula Livre que, durante 580 dias, estiveram em frente à carceragem da Polícia Federal em Curitiba. O petista disse que o apoio foi “o alimento para que ele pudesse lutar” contra o que chamou de “lado podre” do Ministério Público, da Justiça e da Polícia Federal. Segundo o petista, essas instituições trabalharam para criminalizar a esquerda, o PT e a ele mesmo.

“Vocês eram o alimento da democracia que eu precisava para enfrentar o lado podre da Polícia Federal, o lado podre do Ministério Público Federal, o lado podre da Receita Federal e trabalhar pela esquerda. Eles tentaram criminalizar o PT e o Lula. Eu não poderia ir embora daqui sem cumprimentar vocês”, disse Lula.

“Vocês não tem dimensão do significado de eu estar aqui, junto com vocês. A vida inteira estive conversando com o povo brasileiro. Não pensei que, no dia de hoje, eu estaria aqui, conversando com homens e mulheres que ficaram aqui todos os dias gritando: ‘Bom dia, Lula. Boa tarde, Lula. Boa noite, Lula’. Não importa que estivesse chovendo, fazendo 40 graus, zero grau”, disse Lula, ao deixar a carceragem em Curitiba e discursar para centenas de pessoas que o aguardavam do lado de fora.

Na sequência, ele disparou contra o atual presidente, Jair Bolsonaro. “Eu tenho é vontade de provar que esse país pode ser melhor, com um governo que não minta tanto pelo Twitter como Bolsonaro mente.”

Lula se dirigiu diretamente ao ministro da Justiça e de Segurança Pública, Sergio Moro, responsável pela sua condenação quando era juiz da Lava Jato.”Eu queria dizer ao ministro Sergio Moro que eles não prenderam um homem, eles tentaram matar uma ideia. Mas ideia não desaparece e eu quero lutar porque se existe uma quadrilha é da maracutaia que eles fizeram”, disse o petista.

Do lado de fora da carceragem, esperavam pelo ex-presidente a filha, Lurian, o neto Tiago, e a namorada de Lula, Rosângela da Silva, a Janja. Lula disse ainda que sai da prisão “sem ódio” e que seu coração só tem espaço para o amor. Ainda assim, mandou recado para seus adversários.

“Saio daqui sem ódio. Aos 74 anos, meu coração só tem espaço para o amor, porque o amor vai vencer nesse país. Eles [adversários] têm que saber que o nordestino, que nasceu em Garanhuns (PE), que passou fome e que veio para São Paulo e não morreu de fome até os 74 anos de idade, não tem nada que me vença”, afirmou.

“Eu saio daqui, quero que vocês saibam, que saio com o maior sentimento de agradecimento que um ser humano pode ter pelo outro. É o que tenho por vocês. Não tenho mágoa dos policiais federais, dos carcereiros, de ninguém”, complementou.

Em seu primeiro discurso, Lula apresentou a socióloga Rosângela Silva como sua namorada. “Eu consegui a proeza de, preso, arrumar uma namorada”, brincou o ex-presidente, beijando a namorada.

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