O que está em jogo em possível novo tarifaço dos EUA sobre o Brasil
Governo americano deve anunciar se amplia tarifaço sobre produtos brasileiros; Veja quais setores podem ser afetados

A expectativa do governo brasileiro e do setor produtivo é de que os Estados Unidos (EUA) anunciem nesta quarta-feira (15/7) se vão ampliar o tarifaço sobre produtos brasileiros, um movimento que pode atingir uma fatia relevante das exportações do país.
A decisão ocorre em meio à escalada de tensões comerciais e pode consolidar um novo ciclo de barreiras contra produtos produzidos no Brasil.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que cerca de 4 mil produtos podem ser atingidos. Juntos, eles representam US$ 14,9 bilhões em exportações aos EUA, um dos principais destinos das exportações brasileiras.
O que pode mudar com novo tarifaço
A principal expectativa é que os EUA confirmem a aplicação de uma tarifa adicional de até 25% sobre produtos brasileiros investigados. Se confirmadas, as tarifas ampliam um conjunto de restrições já iniciado anteriormente, quando Washington passou a impor taxas extras sobre determinados itens importados.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO efeito tende a ser direto e produtos brasileiros ficam mais caros, o que reduz a competitividade frente a concorrentes de outros países.
Embora a lista final dependa da decisão americana, o impacto deve se concentrar na indústria. Isso porque a maior parte das exportações brasileiras para os EUA é composta por bens intermediários, como peças, componentes e insumos usados por fábricas americanas.
Isso significa que as tarifas não afetam apenas o Brasil. Empresas americanas que dependem desses insumos também podem enfrentar aumento de custos.
Setores como metalurgia, máquinas e equipamentos, químicos e autopeças aparecem entre os mais expostos, segundo a indústria.
Veja os principais produtos afetados:
- Ferro-gusa não ligado;
- Açúcar de cana em forma sólida;
- Álcool etílico não desnaturado;
- Tabaco curado por fumaça ou processado; e
- Hidróxido de alumínio.
O governo americano sustenta que as medidas fazem parte de uma estratégia para proteger sua indústria e corrigir práticas consideradas desleais no comércio internacional.
As investigações abertas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) envolvem diferentes frentes e incluem, por exemplo, discussões sobre padrões comerciais e questões relacionadas a regras trabalhistas.
Do lado brasileiro, a estratégia tem sido tentar evitar a escalada do conflito. O governo defende que as tarifas prejudicam os dois lados, já que boa parte do que o Brasil exporta é utilizada dentro da própria indústria americana.
Novos mercados
Mesmo antes da decisão desta semana, o cenário já vinha provocando mudanças no comércio exterior brasileiro. Desde o primeiro ciclo de tarifas imposto pelos Estados Unidos, empresas passaram a buscar novos destinos para suas exportações, em uma tentativa de reduzir a dependência do mercado americano.
A estratégia inclui ampliar vendas para países da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina, além de diversificar clientes e produtos.
Esse movimento não elimina os efeitos de novas barreiras, mas tem ajudado a amortecer impactos e a tornar o Brasil menos vulnerável a decisões unilaterais de grandes parceiros comerciais.
Entenda o novo tarifaço americano
- Os Estados Unidos devem anunciar nesta quarta se vão ampliar as tarifas contra produtos brasileiros, após acusação de práticas econômicas desleais;
- Cerca de 4 mil itens exportados pelo Brasil podem ser atingidos, somando cerca de US$ 14 bilhões em vendas;
- A sobretaxa pode chegar a até 25%, ou mais, a depender da combinação com outras medidas e a indústria deve ser a mais afetada, especialmente setores que vendem insumos para fábricas americanas;
- O governo tenta negociar, enquanto empresas aceleram a busca por novos mercados fora dos EUA.
Posição do governo
Nessa terça-feira (14/7), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo aguarda o anúncio das tarifas para avaliar os próximos passos.
De acordo com ele, é possível que seja editada uma nova Medida Provisória (MP), nos moldes do Plano Brasil Soberano, para ajudar exportadores que serão afetados pelas tarifas.
Além disso, o ministro não descartou o uso da Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, contra o tarifaço imposto pelo governo americano.
Em nota, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), afirmaram que se reuniram com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na noite de terça para discutir o tema, um dia antes do anúncio sobre as tarifas.
“Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas. Cumprindo a orientação do Presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, diz o texto.
Cronologia do tarifaço
- 2 de abril de 2025 – O presidente americano, Donald Trump, anuncia a taxação de 10% para diversos países;
- 9 de abril de 2025 – Após reação dos mercados, Trump adia por 90 dias a aplicação de parte das tarifas recíprocas para diversos parceiros comerciais;
- Maio de 2025 – Brasil intensifica negociações e representantes do governo brasileiro iniciam conversas com autoridades americanas e com o setor privado para tentar reduzir os impactos das tarifas sobre as exportações;
- Junho de 2025 – Trump assina uma ordem executiva para ampliar tarifas de aço e alumínio exportados de 25% para 50%;
- Julho de 2025 – O presidente americano envia uma carta ao Brasil ameaçando taxar o país em 50%. Como justificativa, Trump cita o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que há época estava sendo julgado por tentativa de golpe de Estado;
- 30 de julho de 2025 – Trump oficializa tarifas de 50% contra produtos brasileiros, no entanto, apresentou uma lista de isenção;
- 6 de agosto de 2025 – Vigor da taxação de 50%; composta por uma sobretaxa de 40% aos 10% anunciados inicialmente;
- Setembro de 2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump se encontraram durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, Trump disse que “rolou um clima” entre eles;
- Outubro de 2025 – Os presidentes conversaram por telefone sobre o tarifaço e marcaram de continuar as discussões;
- Novembro de 2025 – Trump assinou uma ordem executiva retirando as sobretaxas de 40%;
- Fevereiro de 2026 – A Suprema Corte americana considerou ilegais as tarifas aplicadas pelo governo Trump e reverteu a decisão;
- Junho de 2026 – Uma investigação contra práticas comerciais brasileiras conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a aplicação de tarifas de 25%;
- Junho de 2026 – Uma investigação contra países que possuíam mão de obra escrava sugeriu a imposição de taxas de 12,5% contra o Brasil, totalizando 37,5%.
- 15 de julho de 2026 – Prazo final para o governo americano decidir se vai ou não taxar o Brasil, de acordo com a sugestão do USTR.











