Veja o que você precisa saber sobre o Alzheimer, a demência mais comum

Neurocirurgião e geriatra explicam formas de prevenção, tratamentos, evolução e frequência da doença neurodegenerativa em idosos

atualizado 20/09/2022 19:12

O Alzheimer é a doença neurodegenerativa mais comum do mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que 35,6 milhões de pessoas tenham a condição, número que tende a dobrar até 2030 e triplicar até 2050. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 1,2 milhões de pessoas sofriam com a doença em 2021 no Brasil e 100 mil novos casos são diagnosticados a cada ano.

A demência é caracterizada pela perda de funções cognitivas como memória, orientação, atenção e linguagem, e é causada pela morte de células cerebrais. De acordo com o neurocirurgião Marcelo Valadares, médico do Hospital Israelita Albert Einstein e pesquisador da Unicamp, pessoas com Alzheimer têm um acúmulo de duas proteínas, chamadas de beta-amiloide e Tau.

Em excesso, as substâncias causam inflamação, desorganização e destruição das células, principalmente em regiões do cérebro como o hipocampo e o córtex. As áreas afetadas são responsáveis principalmente pela formação, ordem e armazenamento de novas memórias.

Porém, não há consenso. Em artigo publicado no site Science Alert, cientistas canadenses sugerem que a demência sequer seria uma doença do cérebro, e sim uma condição autoimune que ataca as células do órgão.

O Metrópoles conversou com dois médicos para elencar as principais informações que já são confirmadas sobre o Alzheimer. Confira:

1. Quais são as causas do Alzheimer?

Apesar de ser uma área muito estudada, a causa do Alzheimer ainda é desconhecida. Valadares comenta que, por enquanto, acredita-se que os aspectos genéticos exercem influência no desenvolvimento da doença aumentando o risco, mas não são determinantes. Estudos recentes mostram que comorbidades e a situação social do paciente também podem influenciar na degeneração das células cerebrais.

“Os fatores de risco mais importantes são a baixa escolaridade, a hipertensão arterial, obesidade, perda auditiva, depressão, diabetes, sedentarismo, tabagismo e o isolamento social. É uma combinação desses fatores”, aponta o médico geriatra Jean Pierre de Alencar, vice-presidente da Associação Brasileira de Alzheimer Regional São Paulo (ABRAz-SP).

2. É possível prevenir?

Segundo Alencar, vários estudos mostram que controlar os fatores de risco, como colesterol e hipertensão, por exemplo, pode evitar o desenvolvimento de demências.

“Fazer atividade física, pelo menos 150 minutos por semana, é recomendado. Estimulamos também a dieta mediterrânea, que diminui alimentos com gordura saturada e alto índice glicêmico, associando a alimentação ao consumo de castanhas, azeite, peixe e carnes magras, suco de uva integral ou um cálice de vinho, e frutas, legumes e verduras coloridos”, ensina o médico.

Ele lembra que, além disso, é essencial manter o cérebro trabalhando. Por isso, praticar atividades que estimulam a função cognitiva — como palavras cruzadas, quebra-cabeça, aprender uma língua nova, tocar um instrumento diferente e estudar — é importante para aumentar as conexões neurais e evitar a neurodegeneração.

Valadares acrescenta que a doença não tem cura e, apesar de o diagnóstico precoce ser desejável, ele não é suficiente para garantir que os sintomas não irão evoluir. Como ainda não existem ferramentas nem medicamentos capazes de resolver ou bloquear a evolução da doença, identificá-la o mais cedo possível apenas permite que os cuidados sejam implementados mais rapidamente, garantindo maior qualidade de vida ao paciente.

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3. Como é a evolução da doença?

A evolução do Alzheimer e a resposta ao tratamento variam a cada caso. Em alguns pacientes, os sintomas podem melhorar com medicamentos específicos; em outros, eles permanecem estáveis. Mas o neurocientista afirma que também existem pacientes que não respondem às terapias. Nesses casos, a medicação pode ser ajustada ou alterada.

A doença é classificada em três estágios:

  • Fase inicial: o paciente apresenta sintomas leves e, inclusive por isso, muitas vezes o diagnóstico não acontece. “Podem ser observadas alterações como perda de memória recente, dificuldade pra encontrar palavras, desoneração no tempo no espaço e dificuldade pra tomar decisões”, explica Alencar;
  • Segunda fase (ou intermediária): a ausência de memória já existe e está mais forte. Nesse estágio, existem alterações de comportamento mais simples, como esquecimento do nome de pessoas próximas, agressividade, irritabilidade, incapacidade para cozinhar e cuidar da casa, alucinações e desconfiança;
  • Terceira fase: há comprometimento das funções sociais de uma forma mais agressiva. “Na última etapa, o paciente muitas vezes tem dificuldade de controlar a urina, de deglutir os alimentos e frequentemente fica restrito à cama”, diz Valadares.

4. Todas as pessoas têm Alzheimer ou demência ao envelhecer?

Segundo o neurocirurgião, não. Apesar de ser uma doença comumente diagnosticada com o envelhecimento, nem todo paciente idoso terá, necessariamente, Alzheimer ou outras demências. Ele afirma que a doença costuma aparecer principalmente depois dos 65 anos e, quando afeta pessoas abaixo desta idade, é chamado de Alzheimer precoce.

5. O Alzheimer é mais comum em mulheres?

Sim. De acordo com Valadares, cerca de 70% dos pacientes diagnosticados com Alzheimer são do sexo feminino. Em julho de 2022, uma pesquisa realizada por cientistas norte-americanos identificou a presença de um gene que parece aumentar os riscos da neurodegeneração em mulheres, o que pode ajudar a explicar porque pessoas do sexo feminino são as principais atingidas com a doença.

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