Três a cada 10 pacientes da Covid-19 persistente eram assintomáticos
Estudo foi realizado com 1.407 pessoas que tiveram quadros leves da doença, mas continuaram a sentir seus efeitos dois meses após infecção

De acordo com um estudo feito nos Estados Unidos, cerca de um terço dos pacientes que sofrem com os sintomas da Covid-19 longa, também chamada de persistente, não chegou a apresentar sinais da doença durante a infecção original.
A pesquisa analisou dados de 1.407 pacientes na Califórnia, que tiveram quadros leves da doença, e foi publicada em versão pré-print na plataforma medrxiv, ou seja, ainda não foi revisada pela comunidade científica. Entre os participantes, 27% ainda estão sofrendo com os sintomas da Covid-19 meses depois de terem se livrado do vírus.
Entre os achados do grupo, que inclui cientistas da Escola Donald Bern de Informação e Ciência da Computação, da Universidade de Irvine e da Escola de Enfermagem Sue & Bill Gross, estão informações como sexo e idade dos pacientes.
No conjunto analisado, a maioria dos afetados pela Covid-19 longa é mulher (59%) e, em relação à idade, a maior parte tem entre 30 e 70 anos (72%) – porém, das 34 crianças estudadas, 11 sofriam com a Covid-19 persistente.
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Ver todasEntre os sinais catalogados dois meses após os pacientes terem se livrado do vírus, estão palpitações, rinite crônica, falta de olfato e paladar, calafrios, insônia, suor exagerado, ansiedade, dor de garganta e dor de cabeça. Também foram identificados clusters (grupos de pacientes) que apresentavam sintomas comuns a partir do dia 61, como dor no peito e tosse, falta de olfato e paladar e tosse, ansiedade e taquicardia, dor abdominal e náusea, dor na lombar e nas juntas.
Este é um dos maiores estudos feitos até o momento sobre a Covid-19 longa e o primeiro a considerar apenas pacientes leves, que não precisaram ser internados por causa da infecção.
Melissa Pinto, uma das pesquisadoras responsáveis pelo levantamento, explicou ao jornal The New York Times que o processo da Covid-19 longa é dinâmico e os sintomas podem mudar em pouco tempo. No estudo, foram analisadas informações que representam um retrato dos participantes num momento específico.
“Um dia o paciente pode ter dor no peito e dor de cabeça e, no dia seguinte, dor nas costas e nos músculos. Precisamos capturar a trajetória e a mudança dos sintomas ao longo do tempo, e precisamos de uma amostra maior”, afirma.
O grupo de pesquisadores procura, agora, financiamento para fazer uma análise mais abrangente dos pacientes, incluindo informações médicas e comentários dos profissionais de saúde responsáveis pelos participantes.













