Sono após o almoço? Entenda por que acontece e quando se preocupar

Especialistas explicam por que tanta gente sente sono depois de comer, o que influencia e em quais situações o sintoma merece investigação

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Garota asiática bonita e sonolenta, trabalhando remotamente, gerente de conteúdo, freelancer, estudante, sentada à mesa da cozinha com o laptop, começando o dia de trabalho, tomando café, bocejando, sem conseguir acordar. Metrópoles
1 de 1 Garota asiática bonita e sonolenta, trabalhando remotamente, gerente de conteúdo, freelancer, estudante, sentada à mesa da cozinha com o laptop, começando o dia de trabalho, tomando café, bocejando, sem conseguir acordar. Metrópoles - Foto: Kateryna Onyshchuk/Getty Images

A vontade de fechar os olhos logo depois do almoço é tão comum que o famoso cochilo da tarde virou quase um desejo coletivo. Na prática, porém, rotina, trabalho e compromissos nem sempre permitem essa pausa.

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles explicam até que ponto o sono no meio da tarde é normal e em que momento pode indicar que algo no organismo merece atenção.

O endocrinologista Leonardo Parr, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), de São Paulo, esclarece que logo após uma refeição, o corpo direciona grande parte do fluxo sanguíneo para o sistema digestivo, o que naturalmente reduz o estado de alerta.

“A digestão aumenta a demanda de energia e produz liberações hormonais complexas, com picos de insulina que promovem a entrada de triptofano no cérebro, culminando na síntese de serotonina e melatonina, neurotransmissores que induzem relaxamento e sono”, explica o médico.

Ele acrescenta que o aumento da leptina após a refeição também favorece a sensação de relaxamento, enquanto a queda da grelina e a redução da orexina diminuem o estado de vigília.

A composição do prato influencia ainda mais essa sonolência. Refeições muito pesadas ou ricas em carboidratos simples — como massas, pães, arroz branco e doces — tendem a provocar uma queda brusca de energia na sequência.

“Esses alimentos fazem a glicose subir rápido e cair logo depois, causando aquela sensação de apagão de energia. Comidas muito gordurosas ou frituras tornam a digestão mais lenta, o que prolonga o cansaço nas horas seguintes”, afirma a endocrinologista Isabela Carballal, do Hospital Brasília Águas Claras.

Hábitos cotidianos intensificam ainda mais essa reação. A nutricionista Isis Helena Buonso, do Hospital Samaritano Higienópolis, aponta que longos períodos em jejum seguidos de refeições volumosas, comer rápido, baixa ingestão de água e noites mal dormidas aumentam a chance de sonolência após o almoço

“Esses fatores, aliados a escolhas alimentares desbalanceadas, alteram o ritmo de digestão e favorecem oscilações na glicemia, o que amplia a sensação de cansaço”, destaca Isis.

Recorte de papel representando a anatomia do intestino humano sobre fundo bege.
A digestão pode ser dificultada por uma combinação de fatores relacionados a hábitos alimentares, estilo de vida e condições de saúde

Quando o sono depois do almoço deixa de ser normal?

Sentir sono após comer é comum, mas a intensidade e a frequência ajudam a entender quando o corpo está sinalizando algo além do processo natural de digestão. Para Leonardo Parr, o quadro merece atenção quando o cansaço passa a ser intenso, diário ou interfere no desempenho das tarefas.

Ele explica que a sonolência pós-refeição se torna mais preocupante quando aparece associada a sinais de apneia do sono, resistência à insulina ou alterações metabólicas.

“Quando existem sinais clínicos persistentes ou agravamento do quadro é importante a investigação com endocrinologista ou especialista do sono”, reforça.

Há um horário ideal para almoçar?

O momento do dia em que a refeição é feita também influencia a disposição na sequência. Isabela Carballal explica que almoçar entre 12h e 13h30 costuma funcionar melhor para a maioria das pessoas porque evita que a digestão coincida com a queda natural de energia que o corpo apresenta entre 14h e 15h.

Segundo ela, quando o almoço ocorre muito tarde, há uma sobreposição de fatores que induzem o sono. Por outro lado, manter um horário mais regular ajuda a estabilizar a glicemia e a manter o nível de alerta no restante da tarde.

Estratégias para evitar o apagão pós-almoço

A escolha do prato e alguns hábitos simples ao redor da refeição fazem diferença direta na disposição. A nutricionista Ana Carolina Teixeira, da clínica Evoá, em Brasília, orienta priorizar proteínas magras e fibras no almoço durante a semana, já que elas ajudam a manter a glicemia mais estável e reduzem a sonolência.

“Incluir carboidratos em versões mais nutritivas, como arroz integral, mandioca, batata e frutas, também contribui para uma liberação mais gradual de energia”, diz.

Outro ponto importante é o ritmo da refeição. Comer devagar, evitar porções exageradas e não passar longos períodos em jejum diminuem as oscilações glicêmicas. Uma caminhada leve após o almoço ajuda na digestão e melhora a disposição. Manter o corpo hidratado e ter um sono regular também fazem diferença na forma como o organismo reage no início da tarde.

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