Síndrome da fadiga crônica: doença causa exaustão até para pensar

Condição neurológica provoca cansaço extremo, névoa mental e dificuldade de concentração mesmo depois do descanso

atualizado

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Mulher triste, sofrendo de dor de cabeça, sentada na cama com os olhos fechados enquanto segura a cabeça, sentindo dor. Metrópoles
1 de 1 Mulher triste, sofrendo de dor de cabeça, sentada na cama com os olhos fechados enquanto segura a cabeça, sentindo dor. Metrópoles - Foto: Freepik

Acordar cansado, perder a concentração no meio de tarefas simples e sentir o cérebro “pesado” até para pensar podem ser sinais de um problema pouco conhecido, mas incapacitante: a síndrome da fadiga crônica. A condição, também chamada de encefalomielite miálgica, provoca uma exaustão intensa e persistente que não melhora nem mesmo após o repouso.

Além do desgaste físico, muitos pacientes relatam uma espécie de “névoa mental”, com dificuldade para raciocinar, organizar pensamentos e manter a atenção ao longo do dia. O quadro afeta diretamente a qualidade de vida e pode comprometer trabalho, estudos e relações sociais.

O que é a síndrome da fadiga crônica

A neurologista Ana Letícia Moraes, que atende no Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, explica que a síndrome é uma condição neurológica associada a alterações no sistema nervoso autônomo e no fluxo sanguíneo cerebral.

Segundo a especialista, muitos pacientes relatam que os sintomas começaram após infecções, principalmente virais. “Depois de uma doença, o paciente passa a apresentar fadiga intensa, dificuldade para realizar exercícios, intolerância a ficar muito tempo em pé e uma sensação de névoa no pensamento”, afirma.

O neurologista Sérgio Jordy, da Rede D’Or, em São Paulo, destaca que a fadiga crônica vai muito além do cansaço comum. “A síndrome promove fadiga intensa e persistente, que piora após esforço físico ou mental e pode vir acompanhada de lapsos de memória, dificuldade de concentração, tontura e distúrbios do sono”, explica.

Quando o cérebro parece desligar

Um dos sintomas mais marcantes da fadiga crônica é o chamado brain fog (névoa mental), expressão usada para descrever a dificuldade cognitiva enfrentada pelos pacientes.

Ana Letícia explica que o problema afeta principalmente a chamada função executiva do cérebro, responsável pelo planejamento, organização e resolução de problemas. “O paciente continua capaz de realizar atividades complexas, mas precisa fazer um esforço muito maior para conseguir manter a atenção e executar tarefas”, diz.

De acordo com Jordy, isso acontece porque a síndrome pode provocar alterações metabólicas e imunológicas cerebrais. “O cérebro passa a ter menor resistência para atividades que exigem concentração, gerando desgaste excessivo até em tarefas simples”, afirma.

Os especialistas alertam que a condição costuma ser confundida com estresse, burnout e depressão. Apesar de existirem sintomas parecidos, a fadiga crônica apresenta diferenças importantes.

Diagnóstico difícil e tratamento individualizado

Ainda não existe um exame específico capaz de confirmar a síndrome da fadiga crônica. O diagnóstico é clínico e depende da exclusão de outras doenças, como alterações hormonais, deficiência de vitaminas, problemas reumatológicos e distúrbios metabólicos.

“Os exames geralmente vêm normais. Eles servem mais para descartar outras condições que também causam fadiga”, afirma a neurologista.

O tratamento varia conforme os sintomas predominantes e costuma envolver uma equipe multidisciplinar, com neurologistas, psiquiatras, fisioterapeutas e outros profissionais.

Entre as principais estratégias estão pausas frequentes durante o dia, controle do sono, redução do excesso de esforço físico e mental, além de medicamentos para dor e distúrbios do sono quando necessário.

Embora ainda seja pouco conhecida, a síndrome da fadiga crônica pode impactar profundamente a rotina e a autonomia dos pacientes. Especialistas reforçam que o cansaço persistente não deve ser normalizado, principalmente quando vem acompanhado de dificuldade de concentração, dores e exaustão desproporcional após atividades simples.

O reconhecimento precoce dos sintomas e o acompanhamento médico adequado são fundamentais para melhorar a qualidade de vida e evitar agravamentos. Além disso, ampliar o debate sobre a condição ajuda a combater o estigma enfrentado por pacientes que, muitas vezes, convivem com uma doença invisível aos olhos de quem está ao redor.

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