Sinais do Parkinson podem aparecer 10 anos antes. Saiba quais

Além dos sintomas clássicos, alguns sinais precoces podem indicar o desenvolvimento da doença décadas antes do diagnóstico

atualizado 07/04/2022 10:35

Pessoa com doença de Parkinson recebe cuidados Xesai/Getty Images

​Conhecida pelos tremores involuntários, a doença de Parkinson afeta a habilidade cerebral de controlar os movimentos do corpo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição atinge 1% da população mundial acima de 65 anos e, no Brasil, esse grupo estimado é de 200 mil pessoas.

O Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no planeta, atrás apenas do Alzheimer. As razões para o desenvolvimento da condição ainda são desconhecidas, mas a hipótese mais aceita é que ela surja a partir de uma interação entre fatores genéticos e ambientais, como exposição a produtos tóxicos.

A doença ocorre devido à degeneração das células situadas em uma região do cérebro chamada substância negra. As células localizadas nessa região do mesencéfalo produzem a dopamina, que ajuda a conduzir as correntes nervosas ao corpo. A falta ou diminuição da dopamina afeta os movimentos do paciente, provocando os tremores involuntários e outros sintomas.

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Sinais iniciais

A progressão do Parkinson é muito variável e desigual entre os pacientes. Em geral, a doença possui um curso vagaroso, regular e sem mudanças rápidas ou dramáticas. Os sintomas mais comuns são tremores, rigidez muscular, lentidão dos movimentos, alterações na fala e instabilidade postural.

A Associação Brasil Parkinson (ABP), entidade sem fins lucrativos criada em 1985 para atender portadores da doença, alerta que, além dos sintomas clássicos, os primeiros sinais da condição podem aparecer cerca de 10 a 15 anos antes da doença se instalar e, em alguns casos, mascaram o diagnóstico da doença, pois não afetam a condição motora.

Esses sinais são chamados de prodômicos e podem indicar o início da doença antes que os sintomas específicos surjam. São eles:

  • Intestino preso;
  • Perda de olfato;
  • Sono agitado;
  • Dor muscular;
  • Sensação de tontura ao levantar;
  • Tristeza e desânimo;
  • Prejuízo na concentração;
  • Redução da expressão facial;
  • Alteração na escrita;
  • Dificuldade de se movimentar;
  • Redução da oscilação dos braços durante a marcha.

A presidente da ABP, Erica Tardelli, ressalta a importância de identificar esses sinais precoces e considerá-los como um alerta para o Parkinson, principalmente quando a pessoa não apresenta tremores, mas tem dores musculares.

“A gente recebe diariamente pacientes que fizeram por dois ou três anos tratamentos inadequados para a doença e que, inclusive, passaram por cirurgias, devido ao diagnóstico errado. Os sinais acabam sendo diagnosticados como problemas ortopédicos, quando podem ser causados pela rigidez do Parkinson”, explica Tardelli, que é fisioterapeuta especialista em neurologia.

Contudo, a presença de um ou mais desses sinais não significa necessariamente que a pessoa tenha Parkinson. Mas, se eles forem resistentes aos tratamentos convencionais, é orientado consultar um neurologista.

O diagnóstico da doença por meio de exames neurológicos só é possível quando a pessoa apresenta os sintomas clássicos, que são a lentidão dos movimentos associada à rigidez muscular, tremor ou alterações posturais.

Evolução da doença

O Parkinson não tem cura, porém, pode e deve ser tratado — além de combater os sintomas, é possível retardar o seu progresso. Para isso, são usados medicamentos aliados à prática de fisioterapia, terapia ocupacional e atividade física. A cirurgia pode ser necessária em alguns casos.

Como forma de conscientizar a população sobre os sinais precoces a serem considerados no diagnóstico, a ABP, em parceria com o programa de ensino e pesquisa da Doença de Parkinson do Hospital das Clínicas de São Paulo, elaborou um e-book com informações sobre sinais e sintomas da doença.

“A tentativa é diminuir o tempo que o paciente leva para receber o diagnóstico e começar o tratamento correto. O material é baseado em revisões científicas e busca chamar a atenção para a doença”, afirma a especialista.

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