Sentir-se doente pode ser defesa do corpo, diz estudo

Pesquisa aponta que se sentir doente pode ser uma forma de o corpo se defender durante infecções

atualizado

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Um jovem asiático sofria de fortes dores no peito devido a uma doença crônica. Metrópoles - gripe
1 de 1 Um jovem asiático sofria de fortes dores no peito devido a uma doença crônica. Metrópoles - gripe - Foto: pocketlight/Getty Images

Febre, cansaço, vontade de se isolar e indisposição costumam ser vistos apenas como efeitos colaterais de estar doente. Entretanto, pesquisadores trazem uma nova perspectiva sobre esses sintomas e a defesa do corpo.

Publicada nessa quinta-feira (30/4) na revista Trends in Immunology, a pesquisa aponta que esses comportamentos podem ter uma função importante: ajudar o corpo a se defender. A ideia é que o “adoecimento” também faça parte da resposta imune, atuando em diferentes frentes para proteger o organismo.

O estudo indica que, além das células de defesa que atacam vírus, bactérias e outros invasores, o corpo também altera comportamentos e funções fisiológicas para lidar melhor com a ameaça. Essas mudanças envolveriam uma comunicação direta entre o sistema imune e o cérebro, capaz de ajustar fome, temperatura corporal, energia, sono e interação social durante uma infecção.

Segundo os pesquisadores, a defesa do organismo pode ser dividida em três estratégias principais: evitação, resistência e tolerância. A evitação busca reduzir o contato com agentes perigosos, como ocorre com barreiras mucosas ou com a reação de nojo diante de cheiros associados à contaminação.

A resistência é a tentativa de combater diretamente o patógeno, como acontece com a febre, que pode dificultar a multiplicação de alguns microrganismos. Já a tolerância tenta limitar os danos ao corpo, sem necessariamente eliminar o invasor de imediato.

Sintomas podem ajudar na defesa

Durante uma infecção, a resposta do organismo não se limita à ação das células de defesa, como os glóbulos brancos. O estudo propõe uma visão mais ampla da imunidade, na qual o corpo também reorganiza funções fisiológicas e comportamentos para lidar com a ameaça.

Essa mudança de perspectiva ajuda a responder uma questão importante da biologia: como o organismo percebe um risco e decide quais respostas deve acionar. Por muito tempo, acreditou-se que o cérebro ficava relativamente isolado do sistema imunológico, protegido pela barreira hematoencefálica. Atualmente, pesquisas indicam que há uma comunicação constante entre os dois sistemas, chamada de eixo cérebro-imune.

Nesse processo, o sistema nervoso interpreta sinais do ambiente, enquanto o sistema imunológico identifica perigos em nível molecular. A troca de informações entre eles permite uma resposta coordenada, que pode incluir febre, alteração do apetite, redução da energia, mudanças no sono e menor interesse por interação social.

Agora, os pesquisadores querem entender com mais detalhes como diferentes tipos de infecção afetam o cérebro ao longo do tempo. A ideia é identificar “assinaturas neurais” das doenças, ou seja, padrões de atividade cerebral ligados a cada tipo de ameaça. Esse mapeamento pode ajudar a explicar sintomas persistentes e abrir caminho para tratamentos mais direcionados.

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