Estudo raro de 47 anos revela quando o corpo começa a perder força
Pesquisa de acompanhamento mostra queda gradual do desempenho físico e indica que atividade melhora capacidade mesmo iniciando mais tarde
atualizado
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O corpo humano começa a perder força e condicionamento mais cedo do que muita gente imagina. Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, indica que esse declínio tem início por volta dos 35 anos, mesmo em pessoas com diferentes níveis de atividade física.
Os dados fazem parte de um acompanhamento raro, que seguiu os mesmos participantes ao longo de 47 anos. O trabalho foi publicado no periódico Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle em novembro de 2025.
Ao longo das décadas, os cientistas mediram repetidamente o condicionamento físico, a força muscular e a resistência de homens e mulheres que tinham entre 16 e 63 anos no início da pesquisa. Esse tipo de acompanhamento contínuo permite observar com mais precisão como o corpo muda com o passar do tempo.
Diminuição da capacidade física ao longo do tempo
Os resultados mostram que a capacidade física começa a diminuir ainda na fase adulta, por volta dos 35 anos. A partir daí, a queda segue de forma gradual e se torna mais evidente com o envelhecimento.
Essa diminuição apareceu de forma consistente nas diferentes medidas analisadas, incluindo força, resistência muscular e condicionamento geral. Ou seja, não se trata de uma mudança isolada, mas de um processo que afeta o desempenho físico como um todo.
Segundo os pesquisadores, o diferencial do estudo está justamente no acompanhamento das mesmas pessoas ao longo de décadas. A maioria das pesquisas anteriores comparava grupos de idades diferentes em um único momento, o que não permite enxergar com tanta clareza a evolução individual.
Exercício ainda faz diferença
Apesar da queda natural da capacidade física, o estudo traz um ponto importante. Pessoas que passaram a se exercitar na vida adulta conseguiram melhorar sua capacidade física entre 5% e 10%.
Isso mostra que começar mais tarde não significa ausência de benefícios. A atividade física continua tendo impacto positivo, mesmo quando o corpo já iniciou o processo de perda de desempenho.
“Nunca é tarde demais para começar a se movimentar. Nosso estudo mostra que a atividade física pode retardar o declínio do desempenho, mesmo que não consiga impedi-lo completamente”, afirma Maria Westerståhl, professora do departamento de Medicina Laboratorial do Instituto Karolinska e principal autora do estudo, em comunicado.
Os pesquisadores agora pretendem continuar acompanhando o grupo, que será reavaliado quando os participantes completarem 68 anos. A expectativa é entender melhor como fatores como estilo de vida e condições de saúde influenciam essas mudanças ao longo da vida.
