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Saúde

Saúde mental de alunos: ansiedade e isolamento são sinais de alerta

Especialista destaca que reconhecer precocemente sinais de sofrimento emocional pode evitar o agravamento dos quadros entre crianças

06/07/2026 02:00
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Foto colorida com zoom e falta de foco de mão infantil levantada em sala de aula - Metrópoles.

Ansiedade, isolamento, irritabilidade, dificuldade de concentração e mudanças bruscas de comportamento têm aparecido com frequência cada vez maior no ambiente escolar. Embora algumas dessas reações façam parte do desenvolvimento de crianças e adolescentes, especialistas alertam que certos sinais podem indicar sofrimento emocional e exigir atenção.

Para ampliar o debate sobre o tema, educadores criaram em 2025 a Comissão Nacional de Saúde Mental nas Escolas. A iniciativa reúne representantes de instituições de ensino para elaborar diretrizes e boas práticas voltadas ao cuidado de estudantes, professores, colaboradores e famílias.

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Em junho deste ano, o movimento ganhou a comissão Centro-Oeste, responsável pelo Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

A presidência ficou com a professora Dulcineia Marques, integrante da comissão nacional. Para ela, o cuidado com a saúde mental precisa fazer parte da rotina escolar.

“A saúde mental não pode ser tratada apenas quando surge um problema, porque ela é construída diariamente. Assim como desenvolvemos habilidades acadêmicas ao longo dos anos, também desenvolvemos competências emocionais no cotidiano.”

Como diferenciar o estresse de um sinal de alerta

Segundo a psicóloga clínica Kassiana Pozzatti, especialista em Educação, sentir cansaço após um semestre intenso, ansiedade antes de provas ou frustração diante de dificuldades faz parte da vida escolar e não caracteriza, por si só, um transtorno mental.

O alerta aparece quando o sofrimento é persistente e começa a interferir no desempenho escolar, nas relações familiares, na convivência social e na qualidade de vida.

“A intensidade, a persistência dos sintomas e, principalmente, o impacto sobre a vida acadêmica, familiar, social e emocional são os principais critérios para diferenciar um desgaste esperado de um quadro que merece avaliação profissional”, explica.

A especialista afirma que também é importante observar a capacidade de recuperação do adolescente. Depois de um momento estressante, o esperado é que ele consiga descansar e retomar a rotina. Quando isso não acontece por semanas, é recomendada uma avaliação especializada.

Mudanças de comportamento não devem ser ignoradas

Kassiana explica que nenhum comportamento isolado confirma um problema de saúde mental. O mais importante é observar a frequência, a duração e o prejuízo causado ao cotidiano. Entre os principais sinais estão:

  1. Isolamento social;
  2. Perda de interesse por atividades antes prazerosas;
  3. Alterações importantes no sono ou no apetite;
  4. Queda no rendimento escolar;
  5. Irritabilidade ou tristeza persistentes;
  6. Ansiedade intensa diante de situações cotidianas;
  7. Dores físicas recorrentes sem causa médica identificada;
  8. Dificuldade para realizar tarefas compatíveis com a idade.

O uso excessivo das telas também merece atenção quando passa a substituir o convívio presencial e se transforma em uma forma de isolamento.

Foto colorida de mulher com blusa amarela tocando na mão de aluno em sala de aula - Metrópoles.
Comissão Centro-Oeste reúne educadores para fortalecer ações de saúde mental nas escolas

Escola, família e profissionais precisam atuar juntos

A psicóloga ressalta que a escola costuma ser um dos primeiros locais a perceber mudanças de comportamento, mas não cabe à instituição fazer diagnósticos. O papel é acolher, comunicar a família e orientar a busca por atendimento especializado.

Ela destaca que o acompanhamento funciona melhor quando escola, família e profissionais de saúde trabalham de forma integrada, favorecendo tanto o tratamento quanto o desenvolvimento do estudante.

A criação da Comissão Centro-Oeste pela Saúde Mental nas Escolas busca fortalecer justamente essa rede de cuidado, promovendo a troca de experiências entre instituições de ensino e a construção de protocolos para orientar o acolhimento de estudantes e educadores. “Nenhuma escola consegue enfrentar esse desafio sozinha”, enfatiza Dulcinéia.

Informação também é prevenção

Para Kassiana, falar sobre saúde mental nas escolas não significa transformar qualquer dificuldade em doença, mas ensinar crianças e adolescentes a reconhecer emoções, desenvolver estratégias para lidar com frustrações e buscar ajuda quando necessário.

Hábitos como dormir bem, praticar atividade física, manter momentos de lazer, fortalecer os vínculos familiares e usar as telas com equilíbrio também ajudam a proteger a saúde mental ao longo do desenvolvimento.

A dica da especialista é procurar orientação profissional quando crianças ou adolescentes apresentarem sinais persistentes que prejudiquem a rotina. O mais importante é observar se os sintomas persistem, aumentam de intensidade e passam a comprometer a vida escolar, familiar e social do estudante.