Proteína pode indicar resistência de câncer de mama a tratamento
Pesquisa associa atividade da proteína CDK1 à resistência de cânceres de mama a alguns medicamentos usados no tratamento hormonal

A atividade de uma proteína chamada CDK1 pode ajudar a identificar tumores de mama com maior probabilidade de resistir a um tratamento usado contra a doença. A descoberta foi feita por pesquisadores do Instituto Garvan de Pesquisa Médica, na Austrália, e publicada em 11 de outubro na revista Advanced Science.
O trabalho analisou casos de câncer de mama com receptor de estrogênio positivo (ER+), o tipo mais comum da doença. Pacientes com esse diagnóstico costumam receber terapia hormonal combinada a medicamentos chamados inibidores de CDK4/6, que bloqueiam a multiplicação das células cancerígenas.
Apesar de funcionarem para muitas pessoas, os remédios não respondem da mesma forma em todos os casos e podem perder a eficácia com o tempo. Segundo os pesquisadores, a atividade da CDK1 pode ajudar a entender por que alguns tumores continuam crescendo mesmo durante o tratamento.
Proteína funciona como motor da divisão celular
A CDK1 faz parte de uma família de proteínas que controla a divisão das células. Enquanto a CDK4 e a CDK6 participam das etapas iniciais desse processo, a CDK1 é necessária para que a célula conclua a divisão e dê origem a duas novas células.
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Ver todasA professora associada Liz Caldon, coautora do estudo, compara a proteína a um motor. Os inibidores de CDK4/6 tentam impedir que a divisão celular comece, mas algumas células cancerígenas conseguem contornar esse bloqueio.
“Mesmo assim, a célula só consegue se dividir se o motor CDK1 estiver funcionando. Então, verificar se ele está ligado mostra se os medicamentos ainda estão impedindo o avanço do câncer”, explica.
Para acompanhar essa atividade, a equipe desenvolveu um modelo pré-clínico com um sensor fluorescente que acende quando a CDK1 está ativa. Nos testes, os pesquisadores observaram que a atividade da proteína aumentava à medida que os tumores se tornavam invasivos.
A análise de mais de 400 amostras de biópsias de pacientes também mostrou uma relação entre maior atividade da CDK1, tumores mais agressivos e piores desfechos.
Atividade também aparece em tumores resistentes
Os pesquisadores analisaram ainda dados de ensaios clínicos com pacientes tratados com inibidores de CDK4/6. Nos tumores que não responderam aos medicamentos, os genes relacionados à CDK1 e às proteínas que atuam com ela continuaram ativos.
O mesmo sinal apareceu em células cancerígenas cultivadas em laboratório que foram expostas aos medicamentos por cerca de 10 meses, até desenvolverem resistência. Nos modelos pré-clínicos, tumores que continuaram crescendo durante o tratamento também apresentaram maior atividade da proteína.
Para Sarah Alexandrou, primeira autora do estudo, a CDK1 pode funcionar como um sinal de alerta. “Se um tumor apresenta altos níveis de CDK1, isso pode indicar que os inibidores de CDK4/6 não serão tão eficazes”, afirma.
A descoberta ainda precisa ser confirmada em grupos maiores de pacientes tratados com esses medicamentos. Os pesquisadores também avaliam a possibilidade de desenvolver terapias que bloqueiem diretamente a CDK1. Até o momento, não existe um medicamento aprovado com esse alvo.















