Gastroenterologistas explicam os principais sintomas de pancreatite

Casos sob apuração da Anvisa chamam atenção sobre diagnóstico precoce e riscos das complicações de pancreatite, que podem incluir até morte

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Foto colorida de médico com luvas apontando em direção a um pâncreas humano de mentira - Gastroenterologistas explicam os principais sintomas de pancreatite - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de médico com luvas apontando em direção a um pâncreas humano de mentira - Gastroenterologistas explicam os principais sintomas de pancreatite - Metrópoles - Foto: Warawan Tongsri / Getty Images

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apura seis mortes no Brasil que teriam relação com quadros de pancreatite em pessoas que usavam canetas emagrecedoras. 

Os registros envolvem remédios que pertencem à classe dos agonistas do GLP-1, indicados principalmente para tratar quadros de diabetes e obesidade. Entre os princípios ativos citados pela Anvisa estão a  semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida.

Com a repercussão dos casos, é importante ficar atento para os sinais da inflamação do pâncreas e para a importância do reconhecimento precoce da pancreatite, que pode ter uma evolução leve ou avançar para quadros mais graves, incluindo mortes.


O que é a pancreatite?

  • Inflamação do pâncreas, órgão ligado à digestão e ao controle do açúcar no sangue.
  • Pode ser aguda, com início súbito, ou crônica, quando a inflamação persiste e causa danos ao órgão.
  • As causas mais comuns são pedras na vesícula, consumo excessivo de álcool e triglicerídeos altos.
  • O diagnóstico é feito com exames de sangue e de imagem, e o tratamento inclui jejum, hidratação na veia, controle da dor e, em alguns casos, cirurgia.

Principais sintomas da pancreatite

Os sinais da pancreatite variam conforme o tipo e a gravidade do quadro. Os sintomas mais frequentes incluem:

  • Dor intensa na parte superior do abdômen, que pode se espalhar para as costas e piora ao deitar;
  • Náuseas e vômitos persistentes;
  • Distensão abdominal e sensação de digestão lenta;
  • Febre, em alguns casos;
  • Diarreia e fezes volumosas, com aspecto oleoso e odor mais forte, quando há prejuízo da digestão de gorduras;
  • Perda de peso sem causa aparente e deficiência de vitaminas em quadros prolongados.

A médica cirurgiã geral Déborah Menezes Abuchaim, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, em Mato Grosso do Sul, explica que em crianças e idosos, alguns sintomas merecem ainda mais atenção por se manifestarem de formas atípicas.

“Nos idosos, a pancreatite pode se manifestar apenas como confusão mental, letargia ou instabilidade na pressão, sem a dor clássica. Nas crianças, deve-se observar a desidratação, vômitos que não param e sinais de choque, como batimentos cardíacos muito acelerados”, ensina Déborah.

Além dos sinais digestivos, algumas outras mudanças do organismo indicam quadros mais graves, como falta de ar, desidratação e nível menor de consciência. A persistência desses sinais nas primeiras 48 a 72 horas sugere um risco maior de comprometimento de outros órgãos do corpo.

Foto colorida de idosa se consultando com médico - Gastroenterologistas explicam os principais sintomas de pancreatite - Metrópoles
Em idosos, os casos de pancreatite podem ser ainda mais perigosos devido aos sintomas atípicos

Nem toda pancreatite é crônica

Nem todo episódio de pancreatite evolui para a forma crônica, mas crises repetidas aumentam muito o risco do pâncreas sofrer lesões permanentes. Se a inflamação se repete, o tecido do órgão pode perder a capacidade de produzir enzimas digestivas e hormônios que regulam o açúcar no sangue.

Por isso, sinais como dor abdominal recorrente, diarreia persistente, fezes com aspecto oleoso e perda de peso progressiva indicam que a função pancreática pode estar comprometida. 

Com a progressão do dano ao pâncreas, também se torna mais comum o aparecimento de diabetes, já que as células responsáveis pela produção de insulina passam a funcionar de forma inadequada. Segundo a gastroenterologista Mariana Magalhães Alves Rocca, do Hospital Brasília Águas Claras, da Rede Américas, alguns fatores favorecem a transição do quadro agudo para o crônico.

“Consumo frequente de álcool, tabagismo, obesidade, níveis elevados de triglicerídeos e a presença de doenças cardiovasculares são alguns dos fatores que aumentam o risco de quadros mais graves”, aponta Mariana.

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