Previna-se contra o câncer do colo do útero: confira cuidados e vacina

Sexo seguro e vacinação são fundamentais para evitá-lo, assim como conhecer outros fatores de risco

atualizado 29/01/2019 15:20

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O câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical, é o tipo com maior incidência nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), esse é o terceiro tumor maligno mais frequente e a quarta causa de morte de mulheres pela doença no país.

Os dados são alarmantes. Para cada 100 mil mulheres, 14 terão câncer do colo do útero no mundo. Em países menos desenvolvidos, o número cresce para 15,7 casos a cada 100 mil mulheres e, nos mais desenvolvidos, 9,9. A situação do Brasil preocupa ainda mais quando o recorte é feito por região. No Norte, por exemplo, a taxa é de 25,62 casos/100 mil pessoas do sexo feminino. Já no Nordeste é de 20,47 e no Centro-Oeste é de 18,32.

Esse tipo de câncer é causado em mais de 70% dos casos por dois tipos do vírus HPV (Papilomavírus humano), que é sexualmente transmissível. A oncologista Karime Kalil, do hospital Sírio Libanês, explica que a maioria das pessoas já teve contato com o vírus do HPV e nem soube. Segundo a oncologista, a medicina não consegue explicar por que alguns organismos são capazes de expelir o vírus ou diminuir os efeitos dele sem sequer apresentarem os sintomas. É possível que uma infecção se desenvolva de 10 a 15 anos após o contato com o vírus.

O início precoce da atividade sexual, a quantidade de parceiros, o tabagismo e até o uso prolongado de anticoncepcionais podem ser fatores de risco para o desenvolvimento do câncer do colo de útero.

Falta informação e prevenção
Karime afirma que os brasileiros não conhecem o HPV e suas consequências. Opinião corroborada por pesquisa da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC). O estudo aponta que quase 70% das brasileiras não sabem que o câncer do colo do útero é provocado pelo vírus HPV, e cerca de 75% não sabem que existe uma vacina para prevenir a doença. Segundo a pesquisa, as brasileiras não estão realizando exames ginecológicos de rotina. Cerca de 30% delas nunca fez um exame papanicolau, capaz de detectar a presença do HPV, ou o fez apenas uma vez na vida.

Para Karime, especialmente as mulheres, precisam se informar melhor sobre o vírus e seus riscos, incluindo aí a importância do sexo seguro. Como a transmissão da infecção ocorre por via sexual, o uso de preservativos (camisinha masculina ou feminina) durante as relações com penetração protege parcialmente do contágio pelo HPV, que também pode ocorrer pelo contato com a pele da vulva, região perineal, perianal e bolsa escrotal.

Desde 2014, a vacina contra o HPV, outra forma de prevenir a doença, é oferecida na rede pública de saúde. Está disponível para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos e protege contra quatro tipos do vírus, responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo do útero. Para garantir eficácia de proteção, é necessário, no mínimo, duas doses da vacina.

Apesar da oferta, a aderência da população brasileira à vacina ainda é baixa. Dados do Ministério da Saúde mostram que somente 41,8% das meninas elegíveis à vacinação tomaram a segunda dose e, entre os meninos, apenas 13%.

Diagnóstico precoce e tratamento
Apesar de bastante frequentes, os sintomas de câncer do colo do útero aparecem de forma lenta. É fundamental fazer exames de prevenção regularmente, como o papanicolau, que rastreia as células do colo do útero. Há lesões, por exemplo, que são assintomáticas e diagnosticadas apenas nessas análises laboratoriais. Uma vez identificado qualquer sinal suspeito, o médico pode investigar melhor a história clínica da paciente e propor exames adicionais, como colposcopia e biópsia. No Brasil, a recomendação oficial é que mulheres com vida sexual ativa, a partir de 25 anos de idade, façam o papanicolau pelo menos uma vez ao ano.

Em caso de sangramentos (inclusive após relações sexuais), corrimentos ou secreção vaginal anormal com odor forte, dores abdominais, alterações intestinais e urinárias, a recomendação é procurar um médico para uma investigação.

Segundo a oncologista Janaína Jabur, da Aliança Instituto de Oncologia, caso o diagnóstico seja feito na fase inicial do câncer, a cura é alcançada em mais de 80% dos casos. A especialista explica que o tratamento pode incluir quimioterapia, radioterapia e até cirurgia. “Ele será individualizado de acordo com a extensão da doença. O oncologista determinará a melhor sequência após a identificação da doença”, afirma.

 

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