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Saúde

Linguagem social: entenda por que todo mundo está começando a correr

Entre a influência das redes, busca por saúde e sensação de pertencimento, a corrida atrai iniciantes de diferentes idades

12/05/2026 02:00
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Jovem mulher correndo na mata, treinando e se exercitando para uma maratona de trilha ao nascer do sol. Conceito de estilo de vida saudável e fitness. Fotos com efeito vintage. Metrópoles

Basta abrir o Instagram para perceber: fotos de treinos ao amanhecer, medalhas no fim de semana e vídeos de gente correndo em grupo aparecem o tempo todo. A sensação é de que, de repente, todo mundo resolveu correr. Mas o que explica esse fenômeno?

A corrida de rua não é exatamente nova, mas ganhou força e muita popularidade nos últimos anos. Para o professor de educação física Celby Rodrigues, membro da Câmara de Esportes do Conselho Federal de Educação Física (Confef), um dos principais motivos está justamente nessa facilidade de entrada.

“Ela é integradora e permite que pessoas de diferentes idades e classes sociais participem”, afirma.

Segundo ele, a popularização das provas mais curtas, como cinco e 10 quilômetros, também ajudou a atrair iniciantes. “Muita gente começa caminhando, evolui para um trote e depois para a corrida. Isso torna a prática mais possível para quem está começando”, explica.

Mais do que apenas um exercício

Se antes correr era visto apenas como atividade física, hoje a prática ganhou outros significados. A psicóloga Flávia Marsola, do Hospital Brasília Águas Claras, avalia que há um forte componente coletivo nesse movimento.

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“A corrida virou mais do que exercício, virou uma linguagem social. Ela está associada a produtividade, autocuidado e até a uma ideia de superação”, diz.

As redes sociais têm papel importante nessa percepção. “Antes, alguém corria e poucas pessoas sabiam. Hoje, tudo é compartilhado em tempo real, o que gera identificação, comparação e incentivo”, afirma.

Segundo ela, o próprio algoritmo contribui para a sensação de que todos estão fazendo a mesma coisa ao mesmo tempo.

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Esse efeito tem impacto direto no comportamento. “Quando vemos pessoas parecidas conosco adotando um hábito, isso aumenta a percepção de que também somos capazes”, explica. Ainda assim, ela faz uma distinção importante: “Isso pode motivar o início, mas o que sustenta a prática é a experiência individual, o prazer e o sentido que a pessoa encontra.”

Foto colorida - músculos da perna, correr
Correr colabora para um desenvolvimento significativo nos músculos da panturrilha, posterior de coxa e a coxa

Efeitos no corpo

Além da influência das redes, os benefícios físicos ajudam a explicar por que tanta gente decide começar. De acordo com o professor de educação física Ericson Pereira, coordenador do curso da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a melhora no condicionamento é um dos primeiros ganhos percebidos.

“A pessoa sente no dia a dia. Sobe uma escada com menos esforço, percebe melhora na frequência cardíaca e no sono”, afirma.

Além disso, há impactos positivos no bem-estar, como a liberação de hormônios ligados à sensação de satisfação e felicidade, o que contribui para o equilíbrio emocional.

Outro fator que atrai iniciantes, segundo o professor, é a possibilidade de emagrecimento e redução do percentual de gordura, além da melhora geral na disposição.

Como começar a correr sem se machucar?

Apesar de parecer simples, sair para correr exige alguns cuidados. Segundo Pereira, um dos erros mais comuns é querer começar em um ritmo acima do que o corpo suporta. “É um exercício de repetição, então, sem preparo, aumenta o risco de lesões como tendinites”, ressalta.

A orientação é iniciar de forma progressiva. “O ideal é começar com caminhada e, aos poucos, alternar com pequenos trechos de corrida. Com o tempo, o corpo ganha resistência e é possível evoluir”, diz.

Ele também recomenda avaliação médica e acompanhamento profissional, principalmente para quem estava sedentário. “Fortalecer a musculatura e respeitar os limites do corpo faz toda a diferença para evitar lesões e manter a prática”, destaca o profissional.