Estudo da polilaminina é publicado, mas reforça que eficácia é incerta
Primeiro estudo em humanos foi publicado nesta terça-feira (4/8). Autores afirmam que os resultados são promissores, mas insuficientes

O primeiro estudo em humanos sobre a polilaminina foi publicado nesta terça-feira (4/8) na revista científica Spinal Cord. A divulgação representa um avanço para a pesquisa porque os resultados passaram pela revisão de especialistas independentes e agora integram a literatura científica.
A polilaminina é uma substância desenvolvida a partir da proteína laminina, naturalmente presente no organismo, e vem sendo estudada como uma possível alternativa para estimular a regeneração do tecido nervoso após lesões na medula espinhal.

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Ver todasApesar da publicação, a conclusão do artigo aponta que a eficácia da polilaminina ainda não foi totalmente comprovada. Os próprios pesquisadores afirmam que o estudo foi planejado para avaliar principalmente a segurança e a viabilidade do tratamento, e não para demonstrar que a substância é capaz de recuperar movimentos ou funções neurológicas.
A pesquisa acompanhou oito pessoas com lesão medular traumática completa, que receberam o tratamento poucos dias após o acidente e foram monitoradas durante um ano.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaComo o estudo teve um número reduzido de participantes e não contou com grupo de comparação, não é possível afirmar que a evolução observada tenha sido causada pela polilaminina.
O que mostrou a pesquisa da polilaminina?
- O estudo foi realizado com oito pacientes e o principal objetivo era avaliar a segurança e a viabilidade do tratamento.
- A aplicação ocorreu, em média, 2,3 dias após a lesão medular.
- Seis participantes apresentaram melhora na classificação neurológica durante o acompanhamento.
- Três participantes morreram por complicações clínicas consideradas não relacionadas ao tratamento experimental.
- Os autores afirmam que os resultados são preliminares e que serão necessários estudos maiores, randomizados e com grupo controle para confirmar a eficácia da polilaminina.
Resultados animadores, mas ainda preliminares
Ao longo do acompanhamento, parte dos pacientes apresentou melhora em avaliações neurológicas. Os pesquisadores consideram que os achados justificam a continuidade das investigações, mas ressaltam que o desenho da pesquisa não permite concluir que a recuperação tenha ocorrido em consequência da polilaminina.
Além da pequena amostra, todos os participantes receberam reabilitação intensiva durante o estudo. Por isso, ainda não é possível separar quanto da evolução clínica pode estar relacionado ao tratamento experimental, aos cuidados de reabilitação ou à própria evolução da lesão.
Segurança foi o foco da primeira etapa
Segundo os autores, a administração da polilaminina transcorreu sem complicações relacionadas ao procedimento. Durante o período de acompanhamento ocorreram três mortes, atribuídas a complicações frequentemente associadas à lesão medular grave, como pneumonia, problemas cardiovasculares e sepse. Após análise, os pesquisadores informam que não foram encontradas evidências de relação entre os óbitos e a substância.
A publicação do artigo representa apenas o primeiro passo para avaliar o potencial da polilaminina. Na conclusão, os pesquisadores destacam que ainda serão necessários estudos clínicos maiores, com mais participantes e grupo controle, para determinar se o tratamento realmente oferece benefícios superiores aos cuidados convencionais.
Até que novas pesquisas sejam concluídas, a própria equipe responsável pelo estudo orienta cautela: os resultados iniciais são considerados promissores, mas ainda não permitem afirmar que a polilaminina seja eficaz para tratar lesões medulares.



