Pesquisa usa veneno de sapo para tratar depressão, ansiedade e estresse

Substância psicodélica de glândulas do sapo-do-rio-colorado pode diminuir depressão, ansiedade e estresse por quatro semanas, segundo estudo

atualizado 14/01/2021 11:11

MCAMCAMCA/FLICKR

Uma substância psicodélica encontrada na secreção das glândulas do sapo-do-rio-colorado (Bufo alvarius ou Incilius alvarius) pode ser uma nova forma de diminuir sintomas depressivos, de ansiedade e o estresse por até quatro semanas, de acordo com um estudo feito pela startup Beckley PsyTech. A empresa britânica utilizou vapores secos da saliva do sapo para extrair a substância 5-metoxi-DMT (5-MeO-DMT), conhecida por causar potentes alterações na percepção da realidade.

O estudo foi feito com 42 participantes, que inalaram o vapor psicodélico. Os pesquisadores avaliaram os efeitos de curto e longo prazo da experiência, realizando análises 24h após a vaporização e quatro semanas depois do experimento. Os resultados mostraram que as avaliações de satisfação com a vida e pensamento convergente aumentaram significativamente logo após a primeira ingestão. A sensação se manteve um mês após a inalação.

Os voluntários também declararam que sentiram aumento na atenção plena (mindfulness). Os sintomas de depressão, ansiedade e estresse diminuíram após a primeira sessão e mantiveram-se abaixo do comum após as quatro semanas de teste. Os participantes também “experimentaram altos níveis de dissolução do ego ou imensidão oceânica” durante a sessão e “exibiram classificações mais altas de satisfação com a vida e classificações mais baixas de depressão e estresse”, de acordo com o trabalho.

A empresa do Reino Unido havia angariado £ 3 milhões (R$ 22 milhões), em junho de 2020, para tocar a pesquisa. Em uma segunda rodada com investidores, o trabalho recebeu outros £ 14 milhões (R$ 101 milhões) para realizar novos testes clínicos com a substância, ilegal em muitos países.

De acordo com os pesquisadores, a alteração da consciência causada pela 5-MeO-DMT dura cerca de uma hora, contra 6 a 8 horas de outros ativos psicodélicos. O período reduzido dos efeitos facilitaria o desenvolvimento de novos estudos, uma vez que exigiria menos tempo de acompanhamento por parte dos terapeutas — fato que também diminuiria os cursos das pesquisas.

A empresa não revela quando nem como serão feitos os testes clínicos das fases 1 e 2, que envolvem estudos sobre a segurança, dosagem e evidência inicial de eficácia da substância, por motivos de sigilo comercial. Os ensaios serão feitos no Reino Unido por parceiros acadêmicos e empresariais.

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