Pesquisa da UFF projeta 5 mil mortes diárias de Covid-19 para abril

Estimativa foi baseada em modelos matemáticos epidemiológicos. Outono é a estação onde crescem as infecções respiratórias

atualizado 25/03/2021 15:56

cemiterio covas mortos covid brasiliaRafaela Felicciano/Metrópoles

Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Rio de Janeiro, projeta que o Brasil viverá o momento mais crítico da pandemia de coronavírus entre abril e maio deste ano, com até 5 mil mortes provocadas pela doença por dia. Os dados partem de conhecimentos sobre a sazonalidade dos vírus respiratórios, cuja incidência entre a população aumenta a partir do outono.

No artigo “Detecção precoce da sazonalidade e predição de segundas ondas na pandemia de Covid-19”, Márcio Watanabe, professor do Departamento de Estatística da universidade, analisou dados da pandemia de mais de 50 países de setembro de 2020 até março de 2021. A pesquisa foi baseada em modelos matemáticos epidemiológicos.

De acordo com o pesquisador, a pandemia deve ser agravada em países do hemisfério sul, em especial no Brasil e em países que seguem padrões sazonais semelhantes ao nosso, como Índia e Bangladesh, entre os meses de março a maio de 2021 – correspondente ao outono, quando os casos de infecções virais são mais recorrentes.

Em países do hemisfério norte, por outro lado, os registros da Covid-19 devem atingir um platô com menor tendência de aumento, mas ainda assim elevado.

Watanabe destacou a importância de a população continuar a seguir as medidas de segurança enquanto a vacinação não atingir patamares satisfatórios, especialmente entre as pessoas mais vulneráveis à doença.

“O valor real do pico dependerá da velocidade da vacinação nos próximos meses e das medidas de distanciamento adotadas”, disse à agência de notícias da UFF.

“Indivíduos de 50 a 60 anos são responsáveis por uma expressiva parcela das internações e óbitos, mas não estão relacionados como grupo de risco no Plano Nacional de Imunização (PNI). Enquanto o país não vacinar esse grupo de pessoas, e também os idosos e aqueles com comorbidades, ainda teremos um grande número de óbitos”, completou.

O estatístico afirma que a Covid-19 será uma doença endêmica. A partir de 2022, ela deve assumir um padrão sazonal muito semelhante ao da gripe e de outras doenças respiratórias, com um aumento de casos e óbitos entre março e junho e a diminuição em outras épocas do ano.

Essas evidências são importantes para que o poder público se antecipe ao aumento de hospitalizações e óbitos. “Poderemos conviver com a Covid-19 da mesma forma que convivemos com outras doenças respiratórias, como a pneumonia, quando vacinarmos a grande maioria da população”, finalizou.

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