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Saúde

Pentobarbital: remédio usado para injeção letal "desliga" comandos do corpo

Medicamento usado na tentativa de execução de Christa Pike causa parada cardiorrespiratória e leva as pessoas à morte em 15 a 30 minutos

01/10/2026 14:11
TDOC/Reprodução
Christa Pike, condenada à pena de morte nos EUA

Após ser condenada à morte por assassinato, Christa Gail Pike passou por uma execução frustrada nesta quarta-feira (30/9), no estado do Tennessee, nos EUA. Ela foi submetida a duas doses de pentobarbital, medicamento pertencente à classe dos barbitúricos, não morreu e foi levada a um hospital.

A droga é geralmente utilizada para eutanásia, sendo administradas doses de 2 a 10 gramas, que causam coma seguido de parada da respiração e do coração, provocando a morte em 15 a 30 minutos. Mas, no caso de Christa, foi diferente.

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Ela seria a primeira mulher executada em mais de 200 anos no estado. A execução foi marcada inicialmente para as 10h, mas, devido ao Tribunal de Apelações, foi suspensa uma hora antes do previsto. Depois, a Suprema Corte americana derrubou a decisão e o cumprimento da pena foi transferido para a noite.

Repórteres presentes no local contam que Christa perguntou se uma queimação no braço era normal, apresentou dificuldade para respirar, mas continuava roncando mesmo após a segunda dose.

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Como age o pentobarbital

Inventado no século 19, o pentobarbital é um medicamento do grupo de drogas chamadas barbitúricos. Por ser um sedativo de ação curta, ele retarda a atividade cerebral e do sistema nervoso. Por conta disso, foi utilizado durante anos para o tratamento de curto prazo de insônia e para controlar convulsões.

Os medicamentos da classe dos barbitúricos são substâncias depressoras do sistema nervoso central, ou seja, eles reduzem as atividades do cérebro, diminuindo a transmissão de mensagens entre ele e o corpo. Assim, o ritmo e funções como respiração e batimentos cardíacos são reduzidos, tendo seu efeito acrescido conforme a dosagem.

Em pequenas quantidades, eles podem ser utilizados para acalmar e evitar convulsões, induzir o sono e anestesiar. Porém, em excesso, o efeito do remédio suspende os comandos que mantêm o corpo vivo, como a respiração e a circulação, levando a pessoa à morte.

No Brasil, o uso do pentobarbital não é totalmente proibido, sendo vetado para humanos de forma comercial direta e sujeito a um rigoroso controle especial.

A substância é regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por meio da Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998, e integra a Lista B1 (Substâncias Psicotrópicas).

De acordo com Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center (DPIC), o caso de Christa é inédito. O país já registrou sete execuções malsucedidas, mas em todas elas as equipes não conseguiram acesso à uma veia para aplicar a droga. Até então, ninguém tinha sobrevivido depois de receber o pentobarbital.

Segundo o Departamento de Correções do Tennessee, ainda não há uma explicação para o ocorrido, e a porta-voz Dorinda Carter disse não ter informações imediatas sobre o caso ou o estado de saúde da mulher.