Opas diz que 40% das doenças nas Américas podem ser evitadas
Relatório aponta falhas na prevenção e no acesso ao cuidado e indica caminhos para reduzir mortes e melhorar a saúde

Cerca de 40% da carga de doenças nas Américas poderia ser evitada com medidas de prevenção, diagnóstico no tempo certo e acesso adequado ao tratamento. A estimativa faz parte do relatório Saúde nas Américas, divulgado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) nessa terça-feira (29/9).
O documento mostra que a população da região está vivendo mais, mas nem sempre com boa saúde. Em 2023, a expectativa de vida chegou a 77,1 anos, acima do período anterior à pandemia. Desde 2000, o aumento foi de quase quatro anos. No mesmo intervalo, o tempo vivido com boa saúde cresceu cerca de um ano e meio.
Doenças crônicas lideram perda de saúde
Segundo a análise, a maior parte da perda de saúde hoje está ligada a doenças crônicas e condições de longa duração. Entre elas estão problemas cardiovasculares, diabetes, câncer e transtornos mentais.
O relatório também destaca fatores de risco que podem ser prevenidos ou controlados, como pressão alta, glicose elevada, alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de álcool e tabaco e poluição do ar.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaA avaliação mostra ainda que países com níveis semelhantes de recursos apresentam resultados muito diferentes, o que indica que a organização dos serviços de saúde e a forma como os recursos são usados fazem diferença no cuidado da população.
Diferenças de acesso e organização do sistema
A Opas aponta que parte do desafio está em levar soluções já conhecidas para mais pessoas. Isso envolve ampliar o acesso à atenção primária e melhorar a oferta de serviços básicos.
O relatório também chama atenção para desigualdades no acesso ao atendimento. Grupos com menor renda ou que vivem em áreas mais afastadas tendem a enfrentar mais barreiras para receber diagnóstico e tratamento.

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Ver todasPrioridades para reduzir doenças
O documento lista ações consideradas centrais para reduzir a carga de doenças na região. Entre elas estão o fortalecimento da atenção primária, o direcionamento de recursos para serviços com maior efeito na saúde e o uso de dados para identificar onde estão os maiores problemas.
Também são citadas medidas fora do sistema de saúde, como políticas para reduzir o consumo de álcool e tabaco, melhorar a alimentação, incentivar a atividade física e enfrentar a poluição e a violência.
Pressão sobre os sistemas de saúde
O relatório foi divulgado em um cenário de mudanças na população, com envelhecimento, menor número de nascimentos e aumento de doenças crônicas. Ao mesmo tempo, persistem dificuldades no acesso e no financiamento da saúde.
Hoje, cerca de um terço dos gastos em saúde na região é pago diretamente pelas pessoas, o que pode dificultar o acesso ao atendimento. Para a Opas, os dados indicam que é possível reduzir doenças e mortes com medidas já conhecidas, desde que elas sejam aplicadas de forma mais ampla e cheguem à população de maneira efetiva.



