Continente americano perde status de área livre do sarampo, diz Opas

Região volta a enfrentar surtos de sarampo e desafios para manter a cobertura vacinal. Situação do Canadá preocupa, com circulação endêmica

atualizado

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Kateryna Kon/Science Photo Likbrary/Getty Images
Ilustração da partícula do vírus do sarampo. Este vírus, do grupo Morbillivirus, consiste em um núcleo de RNA (ácido ribonucleico) circundado por um envelope repleto de proteínas de superfície, como a hemaglutinina-neuraminidase e a proteína de fusão, que são utilizadas para se ligar e penetrar em uma célula hospedeira. Metrópoles
1 de 1 Ilustração da partícula do vírus do sarampo. Este vírus, do grupo Morbillivirus, consiste em um núcleo de RNA (ácido ribonucleico) circundado por um envelope repleto de proteínas de superfície, como a hemaglutinina-neuraminidase e a proteína de fusão, que são utilizadas para se ligar e penetrar em uma célula hospedeira. Metrópoles - Foto: Kateryna Kon/Science Photo Likbrary/Getty Images

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) informou na última segunda-feira (10/11) que a região das Américas perdeu o status de área livre da transmissão endêmica do sarampo. A decisão foi tomada após a constatação de que o vírus voltou a circular continuamente no Canadá por pelo menos 12 meses.

A perda do certificado é visto como um retrocesso para o continente, que havia se tornado a primeira região do mundo a eliminar o sarampo duas vezes.

O diretor da Opas, Jarbas Barbosa, esclareceu que a perda é reversível e que a região já demonstrou capacidade de interromper a transmissão no passado. Segundo ele, a eliminação pode ser retomada com o reforço das campanhas de vacinação, da vigilância ativa e da cooperação regional.

De acordo com a Opas, embora o vírus tenha voltado a circular de forma endêmica no Canadá, os demais países das Américas continuam mantendo o status de eliminação. É o caso do Brasil, que teve a certificação reconquistada em novembro de 2024.


O que é o sarampo?

  • O sarampo é uma doença altamente contagiosa e o vírus pode sobreviver no ar por até 24 horas, sendo muito mais transmissível que outros vírus, como o da gripe e o da Covid-19.
  • Ele pode causar complicações graves, como pneumonia e encefalite – a inflamação do cérebro –, especialmente em crianças menores de 5 anos, sendo potencialmente fatal.
  • A vacina Tríplice Viral é a principal forma de prevenção. Deve ser aplicada nos bebês em duas doses, aos 12 e 15 meses de idade.
  • Em casos de surtos, o Ministério da Saúde recomenda uma dose da vacina para crianças a partir dos 6 meses de idade e também a revacinação de adultos.

Mais de 12 mil casos em 10 países

Até 7 de novembro de 2025, foram confirmados 12.596 casos de sarampo em 10 países, sendo 95% concentrados no Canadá, México e nos Estados Unidos. O número representa um aumento de 30 vezes em relação a 2024. Foram registradas 28 mortes, a maioria no México.

Atualmente, há surtos ativos em Canadá, México, Estados Unidos, Bolívia, Brasil, Paraguai e Belize. Em grande parte, eles começaram após a chegada de casos importados e têm atingido principalmente comunidades com baixa cobertura vacinal. Cerca de 89% das pessoas infectadas não foram vacinadas ou têm situação vacinal desconhecida.

Crianças menores de 1 ano estão entre as mais afetadas, seguidas pelas de 1 a 4 anos. O sarampo é uma das doenças mais contagiosas que existem, e uma pessoa infectada pode transmiti-lo para até 18 outras. As complicações incluem pneumonia, encefalite, cegueira e até a morte.

Queda na vacinação preocupa

A Opas alerta que a baixa cobertura vacinal é o principal fator que favorece o retorno da doença. Em 2024, a cobertura regional da segunda dose da vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, foi de 79%, abaixo dos 95% recomendados para evitar surtos. Apenas 31% dos países atingiram a meta para a primeira dose, e 20% para a segunda.

A organização ressaltou que a vacina é segura e eficaz e evitou mais de 6 milhões de mortes nas Américas nos últimos 25 anos. “Enquanto o sarampo não for eliminado em nível mundial, nossa região continuará enfrentando o risco de reintrodução e disseminação do vírus entre populações não vacinadas”, alertou Jarbas Barbosa, em comunicado.

A Opas está apoiando os países na intensificação da vigilância, do diagnóstico laboratorial e das campanhas de vacinação. A Comissão Regional de Verificação recomenda que os países ampliem o registro eletrônico de vacinação, reforcem as equipes de vigilância e mantenham recursos adequados para resposta rápida a surtos.

Para recuperar o status de eliminação, um país deve comprovar a interrupção da transmissão endêmica por pelo menos 12 meses consecutivos. O Canadá já se comprometeu a apresentar um plano de ação com foco no aumento da cobertura vacinal e na contenção dos surtos.

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