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Reduzir consumo de álcool em 20% evitaria milhares de mortes no Brasil

Estudo da Fiocruz aponta que o álcool foi responsável por 102 mil mortes em 2019. Queda proporcional evitaria até duas mortes por hora

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Foto colorida de garrafas de álcool, com sobrando masculina no fundo - Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida de garrafas de álcool, com sobrando masculina no fundo - Metrópoles. - Foto: KatarzynaBialasiewicz / Getty Images

O consumo de álcool teve um impacto devastador no Brasil em 2019. Foram registradas 102,3 mil  mortes associadas ao uso de bebidas alcoólicas naquele ano, segundo relatório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Além da tragédia humana, estima-se um prejuízo econômico de R$ 18,8 bilhões, considerando gastos com saúde pública, previdência social e perdas de produtividade. A pesquisa também destaca que os homens são os mais atingidos, representando mais de 75% das mortes relacionadas ao álcool.

O relatório revela que, se a ingestão de álcool fosse reduzida em 20%, haveria potencial para evitar aproximadamente 10 mil mortes por ano — o que corresponde, em média, até uma vida preservadas a cada hora. É a partir desse cálculo que percebe-se a urgência de medidas para conter o consumo.

O impacto do consumo de álcool se distribui em diferentes áreas da saúde. Doenças do fígado, câncer, acidentes de trânsito e violência estão entre os principais desfechos fatais ligados ao consumo excessivo.


Cinco principais doenças relacionadas ao abuso de álcool

  • Gastrite: inflamação do revestimento do estômago.
  • Hepatite alcoólica e cirrose: inflamações e lesões graves no fígado.
  • Pancreatite: inflamação do pâncreas.
  • Neurite ou polineuropatia alcoólica: danos nos nervos, podendo causar fraqueza, formigamento ou dor nos membros.
  • Cânceres: incluindo tumores na cavidade oral, esôfago, faringe e fígado.
  • Transtornos mentais: como depressão, ansiedade e psicose induzida pelo álcool.
  • Alguns quadros graves incluem a síndrome de Wernicke‑Korsakoff (comprometendo memória e coordenação motora) e outros transtornos neuropsiquiátricos.

Estratégias para reduzir o consumo de bebidas alcoólicas

Entre as ações recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e defendidas pelos autores do estudo, estão o aumento de impostos sobre bebidas alcoólicas, restrições à publicidade, redução da disponibilidade dos produtos e campanhas de conscientização.

Segundo os pesquisadores, medidas como essas contribuem para diminuir não apenas o número de mortes, mas também os custos para os sistemas de saúde e a sociedade.

De acordo com o estudo, o Brasil enfrenta uma oportunidade decisiva. “O peso do álcool sobre a saúde e a economia é inegável. Reduzir o consumo em escala populacional é uma das estratégias mais eficazes para salvar vidas e proteger o futuro do país”, resume o relatório desenvolvido pela Fiocruz em parceria com a Vital Strategies e a ACT Promoção da Saúde, como parte da iniciativa Reset Álcool.

Como pedir ajuda?

No Brasil, quem enfrenta problemas relacionados ao consumo de álcool pode contar com uma rede pública de atendimento gratuito e especializado.

Ele é oferecido desde o atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em Centros de Atenção Psicossocial (Caps), até serviços intensivos nos Caps AD III e o Centro de Referência Estadual em Álcool e outras Drogas (CREAD). Existem também entidades acolhedoras e grupos de apoio, como Alcoólicos Anônimos e Al-Anon e o Disque Saúde (no telefone 136).

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