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Saúde

ONGs de apoio emocional por telefone registram aumento de atendimentos

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de indivíduos vivem com transtornos ligados à saúde mental

26/08/2026 02:00
Gabriel Lucas/Arte Metrópoles
ONGs de apoio emocional por telefone registram aumento de atendimentos

Se antes era tratada como tema de pouca importância, a saúde mental ganhou destaque nas rodas de conversa nos últimos anos. Segundo dados divulgados em 2025 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), baseados nos relatórios World Mental Health Today e Mental Health Atlas 2024, mais de 1 bilhão de indivíduos vivem com transtornos ligados à mente no mundo todo.

Ainda de acordo com a OMS, independente da idade e dos níveis de renda, os casos de depressão e ansiedade têm aumentado. No Brasil, as informações da entidade internacional são corroboradas pelo aumento na procura por apoio emocional por telefone.

Dados do SOS Preces, associação sem fins lucrativos de Belo Horizonte, apontam que, em 2020, a média de ligações diárias registradas no segundo semestre estava em 55. Em 2026, o número subiu para 166 — um avanço de pouco mais de 200%.

O SOS Preces também revelou que, no ano passado, a associação recebeu 44.308 ligações no total. Somente nos primeiros sete meses de 2026, o número já está em 29.921 ligações — com uma média diária 35,1% maior que a registrada em 2025. Entre os estados que mais acionaram os serviços, estão:

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  • Minas Gerais – 72%
  • Rio de Janeiro – 11%
  • Bahia – 6%
  • Sergipe – 4%
  • São Paulo – 3%
  • Amazonas, Pará, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Ceará – 2%
  • Paraná e Santa Catarina – 1%

As ligações recebidas por ONGs de apoio emocional são atendidas por voluntários especializados na escuta sem julgamentos, para que o indivíduo possa expressar seus sentimentos, medos e angústias e, de alguma forma, colocar “tudo para fora”.

“O aumento da procura mostra que mais pessoas estão buscando um espaço seguro para falar sobre o próprio sofrimento. Uma conversa por telefone não resolve a causa da dor, mas pode aliviar a sensação de isolamento, ajudar a organizar os pensamentos e dar à pessoa condições emocionais para buscar ajuda quando necessário. O serviço está disponível 24 horas por dia”, ressalta a presidente do SOS Preces, Kátia Moraes Varella Alves.

Atualmente, o SOS Preces conta com cerca de 400 voluntários e oferece suporte emocional gratuito a pessoas que enfrentam luto, ansiedade, conflitos familiares, solidão, doenças e outras dificuldades. O atendimento é feito 24 horas por dia e pode ser realizado por meio do telefone (31) 3334-9700.

O apoio emocional não é terapia e não substitui o atendimento psicológico ou psiquiátrico. O papel dos voluntários é oferecer uma escuta humanizada, sigilosa e sem julgamentos. Cada ligação é um acolhimento independente, enquanto a terapia envolve tratamento contínuo conduzido por um profissional habilitado”, explica Kátia.

Em 2025, CVV registrou 2 milhões de atendimentos

Principal referência em apoio emocional e prevenção do suicídio por telefone, em 2025, o Centro de Valorização da Vida (CVV) fez cerca de 2 milhões de atendimentos por meio de chat, e-mail e telefone. A expectativa é que o número alto de atendimentos se mantenha neste ano — até junho de 2026, o CVV recebeu aproximadamente 1 milhão de ligações.

“O apoio emocional oferecido pelo CVV possibilita que a pessoa fale livremente sobre tudo aquilo que está dentro dela e que, naquele momento, está machucando ou está difícil de suportar. Essa possibilidade de falar e ser ouvido é reconhecida por profissionais de saúde, pela ciência e pela OMS como algo que pode ajudar emocionalmente a pessoa”, afirma a porta-voz do CVV em Brasília, Leila Heredia.

Segundo Leila, o atendimento especializado na escuta é importante em situações difíceis justamente por não interromper ou invalidar o que a pessoa tem a dizer sobre o que está sentindo.

“Às vezes, até na intenção de ajudar, um amigo, familiar ou alguém próximo pode interromper a pessoa e dizer: ‘Não fica assim’, ‘Você tem tudo’, ‘Não existe motivo para você estar assim’ ou ‘Aconteceu algo parecido comigo’. Essas tentativas de consolo, por mais bem-intencionadas que sejam, podem impedir que a pessoa fale, se expresse e verbalize“, diz Leila.

O contato com o CVV pode ser feito pelo telefone 188, pelo e-mail apoioemocional@cvv.org.br ou pelo chat no site da ONG.