Felicidade dos brasileiros: saiba como anda a nossa saúde mental
Interações sociais e clima influenciam diretamente no bem-estar emocional da população, mas brasileiro ainda é um dos mais ansiosos do mundo
atualizado
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Clima tropical, praia, interações sociais e festas são fatores que podem influenciar a saúde mental da população. Apesar do Brasil ter tudo isso, o país está entre os que possuem mais casos de burnout e é o primeiro em ansiedade e estresse.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o conceito de saúde mental abrange o bem-estar mental, físico e social, e não somente a ausência de doenças. Conforme a publicação do relatório World Happiness Report (Relatório Mundial da Felicidade) — documento da ONU, com base na pesquisa global do Instituto Gallup —, o Brasil ocupa a 32ª posição no ranking que classifica os países por avaliações de qualidade de vida.
Mesmo não estando entre os 10 primeiros, nos últimos anos houve um aumento de turistas internacionais em solo brasileiro. De acordo com o governo federal, em 2025 o país recebeu sete milhões de visitantes estrangeiros.
Tudo isso coloca uma questão no ar: como anda a saúde mental do brasileiro?
Segundo especialistas entrevistados pelo Metrópoles, isso depende de vários fatores, até porque o Brasil está entre os países com índices altos de depressão e ansiedade. E questões sociais influenciam diretamente a saúde da população.
O professor de psiquiatria da Universidade de Brasília (UnB), Raphael Boechat, destaca que realmente o clima tropical associado a festas e às interações sociais pode contribuir com os índices de felicidade.
“Os fatores positivos no Brasil sem dúvida são a questão climática. Isso tem demonstrado que países com mais incidência solar e um clima mais temperado refletem nitidamente na saúde mental, e isso é um fator muito grande do Brasil. Outra questão é a socialização, que o brasileiro tem mais que o europeu, por exemplo”, explica.
Exemplos de europeus que trocam suas nacionalidades pela brasileira são retratados nas redes sociais, sejam os que passam somente uma temporada ou os que escolhem, de fato, o país para viver o chamado “sonho brasileiro”.
Mas, na realidade, será que o brasileiro é feliz?
A psicóloga clínica Natália Silva e o sociólogo Rodrigo Breato, ambos da equipe do Grupo Reinserir Psicologia de São Paulo, destacam que, antes de mais nada, é preciso fazer distinção dessas pessoas que mudam para o Brasil, pois há uma grande diferença em relação aos estrangeiros de países desenvolvidos, como os europeus, os oceânicos ou norte-americanos.
“Essa decisão, na maioria dos casos, está atrelada à desvalorização do real, às condições climáticas do país e ao acolhimento encontrado aqui [Brasil]. Pessoas desses países [europeus, oceânicos e EUA] veem no Brasil uma oportunidade de custo de vida baixo em um país tropical e com fácil adaptação social”, reforçam.
Já pessoas que migram de países vizinhos ou continentes menos desenvolvidos, por exemplo, buscam no Brasil uma oportunidade de vida nova e ascensão social.
“Em ambos os casos, a saúde mental do brasileiro não pode ser colocada como um fator atrativo. O país é o segundo no mundo com mais casos de burnout e o primeiro em ansiedade e estresse. Jornadas de trabalho exaustivas, moeda desvalorizada, alto custo em alimentação e contas básicas estão listadas entre as razões para esses altos números”, esclarece Natália.
Boechat diz que o brasileiro passa uma ideia de ser um povo alegre, feliz e festeiro para o estrangeiro, mas isso não significa que a população esteja com a saúde mental plena.
Para mapear como está a saúde mental da população adulta do país, o Ministério da Saúde iniciou, em março deste ano, a coleta de dados da primeira Pesquisa Nacional de Saúde Mental do Brasil.
