Obesidade pode favorecer alterações ligadas ao Alzheimer, diz estudo
Cientistas descobriram que moléculas de gordura produzidas na obesidade podem atingir o cérebro e favorecer alterações associadas à doença

A obesidade pode contribuir para o desenvolvimento da doença de Alzheimer por meio de moléculas de gordura que viajam do tecido adiposo até o cérebro. É o que sugere um estudo publicado na revista Molecular Neurodegeneration em 15 de abril.
Os pesquisadores identificaram um mecanismo que pode ajudar a explicar por que pessoas com obesidade apresentam maior risco de desenvolver a doença. Segundo a equipe, essas moléculas alteram o funcionamento do sistema imunológico do cérebro e favorecem o acúmulo de proteínas associadas ao Alzheimer.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Houston Methodist, nos Estados Unidos.
Como a obesidade afeta o cérebro
Os cientistas concentraram a investigação em um grupo de lipídios chamados fosfatidiletanolaminas (PEs). Essas moléculas fazem parte da membrana das células e estão presentes em diferentes tecidos do organismo. Segundo o estudo, pessoas com obesidade apresentam maior quantidade dessas moléculas no tecido adiposo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência
Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde
Frequência de envio: Semanal
Ver todasOs pesquisadores observaram que elas podem ser transportadas pelo organismo em pequenas partículas capazes de chegar ao cérebro.
Uma vez no sistema nervoso, essas moléculas passam a interferir na comunicação entre as células cerebrais, enfraquecem mecanismos de defesa do cérebro e estimulam o acúmulo da proteína beta-amiloide, uma das principais alterações encontradas na doença de Alzheimer.
“A obesidade pode alterar a forma como os sinais chegam ao cérebro. A boa notícia é que isso pode ser algo que podemos tratar”, afirma Stephen Wong, um dos autores do estudo.
Possível alvo para novos tratamentos
Os pesquisadores também avaliaram o que acontecia quando conseguiam restaurar o equilíbrio dessas moléculas de gordura. Nos modelos utilizados no estudo, isso reduziu alterações no metabolismo dos lipídios, melhorou o funcionamento do cérebro e aumentou o desempenho em testes de memória, aprendizagem, atenção e resolução de problemas.
Segundo os autores, os resultados indicam que bloquear o transporte dessas moléculas ou corrigir esse desequilíbrio pode se tornar uma estratégia para reduzir parte das alterações associadas à obesidade e ao Alzheimer.
Mais estudos serão necessários
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que os experimentos ainda estão em fase inicial e não demonstram que esse mecanismo ocorre da mesma forma em humanos.
Segundo a equipe, novas pesquisas serão necessárias antes que tratamentos direcionados às fosfatidiletanolaminas possam ser testados como forma de prevenir ou tratar o Alzheimer.
Ainda assim, os autores afirmam que a descoberta ajuda a compreender melhor a relação entre saúde metabólica e doenças neurodegenerativas e pode orientar futuras estratégias de intervenção em pessoas com maior risco de desenvolver Alzheimer.

















