Regular açúcar na infância pode reduzir risco de Alzheimer, diz estudo
Pesquisa analisou dados de mais de 60 mil pessoas e encontrou menor risco de Alzheimer entre quem consumiu menos açúcar no início da vida

Consumir menos açúcar durante os primeiros anos de vida pode estar associado a um menor risco de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência décadas mais tarde. É o que sugere um estudo publicado em 22 de julho na revista npj Aging.
Os pesquisadores analisaram dados de mais de 60 mil pessoas e observaram que aqueles que tiveram menor exposição ao açúcar desde a gestação até os dois primeiros anos de vida apresentaram menor risco de doenças neurodegenerativas na velhice.
Segundo os autores, os resultados reforçam a importância da alimentação no início da vida para a saúde do cérebro ao longo do envelhecimento.
Por que é importante controlar o açúcar no sangue?
- O excesso de açúcar no sangue pode causar sintomas como cansaço, sede intensa e visão embaçada.
- Ficar com os níveis desregulados por muito tempo favorece o surgimento de problemas mais graves, como a diabetes.
- Na diabetes tipo 2, o corpo até produz insulina, mas as células passam a não responder bem ao hormônio, o que faz com que a glicose se acumule no sangue em vez de ser usada como fonte de energia.
- O alto índice de açúcar no sangue também pode aumentar o risco de complicações cardíacas, renais e oculares.
Registros antigos
Para investigar essa relação, os cientistas aproveitaram um episódio histórico ocorrido no Reino Unido. Durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos seguintes, o açúcar era racionado no país. Mulheres grávidas tinham acesso limitado ao alimento e crianças menores de 2 anos não recebiam sua própria cota.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaA política terminou em setembro de 1953 e, pouco depois, o consumo de açúcar praticamente dobrou entre a população.

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde
Frequência de envio: Semanal
Ver todasOs pesquisadores analisaram registros de saúde de 60.394 pessoas nascidas entre 1951 e 1956 e cadastradas no UK Biobank. Os participantes foram divididos de acordo com a fase da vida em que estiveram expostos ao racionamento: durante a gestação, nos primeiros anos de vida ou em nenhuma dessas etapas.
O que os pesquisadores encontraram
Em comparação com quem não passou pelo período de restrição, as pessoas que consumiram menos açúcar nos primeiros mil dias após a concepção apresentaram risco 27% menor de desenvolver demência por qualquer causa. No caso especificamente da doença de Alzheimer, a redução foi ainda maior, chegando a 46%.
Os pesquisadores também observaram risco 20% menor de ansiedade e 11% menor de depressão. Já para a doença de Parkinson, não houve diferença entre os grupos.
Além dos registros de saúde, a equipe analisou exames de ressonância magnética de mais de 9 mil participantes. As imagens mostraram que quem passou pelo período de restrição de açúcar apresentava um cérebro que parecia, em média, cerca de 0,39 ano mais jovem do que o esperado para sua idade. Algumas regiões importantes para a memória, como o hipocampo e o tálamo, também eram maiores nesse grupo.
Mais estudos serão necessários
Apesar dos achados, os pesquisadores ressaltam que o estudo mostra apenas uma associação entre menor consumo de açúcar no início da vida e melhor saúde cerebral décadas depois. Isso significa que ainda não é possível afirmar que a redução do açúcar seja a causa direta da diminuição do risco de Alzheimer.
Segundo os autores, novas pesquisas com populações atuais e informações detalhadas sobre a alimentação na infância serão necessárias para confirmar se essa relação também ocorre fora do contexto do racionamento vivido no Reino Unido.

















