Obesidade: peso em diferentes idades influencia risco de 7 cânceres

Pesquisa indica que excesso de peso em diferentes fases da vida está associado ao desenvolvimento de vários tumores

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1 de 1 Foto colorida de pés de mulher em balança - Metrópoles - Foto: Peter Dazeley/ Getty Images

O peso corporal acumulado ao longo da vida pode influenciar o risco de desenvolver diferentes tipos de câncer. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, que analisou dados de mais de 620 mil pessoas acompanhadas dos 17 aos 60 anos.

Os resultados indicam que tanto o excesso de peso no início da vida adulta quanto o ganho acelerado nas décadas seguintes estiveram associados ao aumento da incidência de diversos tumores.

A pesquisa foi publicada em 24 de abril na plataforma científica medRxiv. Os autores destacam que os achados reforçam evidências já conhecidas sobre a relação entre obesidade e câncer.

O trabalho utilizou dados do estudo sueco Obesity and Disease Development Sweden (ODDS), um grande banco nacional que reúne informações de peso, altura e hábitos de saúde registradas entre 1911 e 2020. Os cientistas cruzaram os dados corporais dos participantes com diagnósticos de câncer documentados até 2023.

Ao todo, foram avaliados 251.041 homens e 378.981 mulheres. Cada participante teve, em média, quatro registros de peso ao longo da vida adulta. Para entrar na análise, era necessário possuir ao menos três medições corporais em diferentes períodos da vida.

Obesidade x câncer

Os pesquisadores dividiram a trajetória de ganho de peso em três períodos: dos 17 aos 30 anos, dos 31 aos 44 anos e dos 45 aos 60 anos. Além do ganho de peso total, eles também analisaram o peso corporal aos 17 anos e a idade em que a obesidade começou.

Para calcular os riscos, os autores compararam os participantes que ganharam mais peso ao longo da vida com aqueles que tiveram menores variações corporais.

O grupo com maior ganho acumulou, em média, cerca de 32 quilos durante a vida adulta, enquanto o grupo com menor ganho registrou aproximadamente oito quilos.

Os resultados mostraram que aumentos mais intensos de peso estiveram associados a uma maior incidência de cânceres já reconhecidos como relacionados à obesidade.

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Sintomas da obesidade clínica que vão além do IMC
Além das doenças, pessoas com obesidade precisam lidar com estigmas sociais associados à doença, que envolvem preconceito, estereótipos desrespeitosos, falta de entendimento, levando os pacientes a condições de baixa autoestima, vergonha e culpa pela condição de saúde e pelo peso
A causa fundamental da obesidade e do sobrepeso é o desequilíbrio energético entre a quantidade de calorias ingeridas e a quantidade de calorias utilizadas pelo indivíduo para realização de suas atividades diárias. O excesso de calorias não consumidas se acumula em forma de gordura corporal
Segundo um levantamentos da OMS, as taxas de obesidade em adultos praticamente triplicaram desde 1975 e se elevaram em cinco vezes em crianças e adolescentes. No Brasil, segundo o IBGE, a condição deve atingir quase 30% da população adulta do país em 2030
Essa condição médica se refere ao aumento da gordura corporal e que provoca uma série de doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas de coração, dislipidemia (colesterol alto), esteatose (gordura no fígado) e outras comorbidades causadas pelo excesso de peso
Obesidade, mais do que o acúmulo de peso, é uma doença que afeta o corpo de forma sistêmica
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Sintomas da obesidade clínica que vão além do IMC
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Além das doenças, pessoas com obesidade precisam lidar com estigmas sociais associados à doença, que envolvem preconceito, estereótipos desrespeitosos, falta de entendimento, levando os pacientes a condições de baixa autoestima, vergonha e culpa pela condição de saúde e pelo peso

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A causa fundamental da obesidade e do sobrepeso é o desequilíbrio energético entre a quantidade de calorias ingeridas e a quantidade de calorias utilizadas pelo indivíduo para realização de suas atividades diárias. O excesso de calorias não consumidas se acumula em forma de gordura corporal
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A causa fundamental da obesidade e do sobrepeso é o desequilíbrio energético entre a quantidade de calorias ingeridas e a quantidade de calorias utilizadas pelo indivíduo para realização de suas atividades diárias. O excesso de calorias não consumidas se acumula em forma de gordura corporal

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Segundo um levantamentos da OMS, as taxas de obesidade em adultos praticamente triplicaram desde 1975 e se elevaram em cinco vezes em crianças e adolescentes. No Brasil, segundo o IBGE, a condição deve atingir quase 30% da população adulta do país em 2030
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Segundo um levantamentos da OMS, as taxas de obesidade em adultos praticamente triplicaram desde 1975 e se elevaram em cinco vezes em crianças e adolescentes. No Brasil, segundo o IBGE, a condição deve atingir quase 30% da população adulta do país em 2030

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De acordo com especialistas, apesar de a obesidade ser uma doença crônica multifatorial e, como todas elas, não ter cura, ela tem tratamento e controle
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Acima de tudo, é necessário ter força de vontade e constância. Para entender como controlar a obesidade é fundamental valorizar cada conquista alcançada
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Os pesquisadores identificaram associações mais fortes entre ganho de peso e diferentes tipos de câncer em homens e mulheres. Nos homens, os maiores riscos apareceram em câncer de fígado e adenocarcinoma de esôfago, principalmente entre aqueles que ganharam mais peso antes dos 45 anos. Também foram observadas associações com câncer renal, câncer de cólon, tumores da hipófise, melanoma maligno e linfoma difuso de grandes células B.

Entre as mulheres, o câncer de endométrio foi o mais fortemente relacionado ao ganho de peso ao longo da vida. O estudo também encontrou aumento do risco de câncer renal, câncer de mama após a menopausa, meningioma e câncer de cólon, especialmente entre participantes que ganharam mais peso depois dos 30 anos.

Outro achado importante foi a influência do peso corporal aos 17 anos. Segundo os pesquisadores, adolescentes com maior peso apresentaram mais risco de desenvolver câncer na vida adulta. A idade de início da obesidade também teve impacto: quanto mais cedo ela começou, maior foi a associação com alguns tumores.


Os 7 principais tipos de câncer associados à obesidade

  • Câncer de fígado.
  • Adenocarcinoma de esôfago.
  • Câncer renal.
  • Câncer de cólon.
  • Câncer de endométrio.
  • Câncer de mama após a menopausa.
  • Câncer de pâncreas.

Segundo o estudo, o excesso de gordura corporal pode favorecer o desenvolvimento de tumores por diferentes mecanismos biológicos. Entre eles estão inflamação crônica, aumento dos níveis de insulina, alterações hormonais e estímulo ao crescimento celular desregulado.

Os pesquisadores afirmam que o organismo exposto à obesidade por muitos anos pode sofrer alterações metabólicas contínuas, criando um ambiente favorável para o crescimento de células cancerígenas.

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