O que se sabe sobre vacina russa contra Covid-19 que o DF quer testar

Imunização foi aprovada às pressas e é vista com desconfiança pela comunidade científica. Responsáveis garantem eficácia e segurança

atualizado 28/08/2020 13:46

seringa de vacinaScience Photo Library/GettyImages

Nesta quinta-feira (27/8), o Governo do Distrito Federal (GDF) iniciou tratativas com a Embaixada da Rússia com o intuito de trazer a vacina contra a Covid-19 criada pelo país para o DF. A capital federal não é a primeira a cogitar a opção: o Paraná já assinou, inclusive, um memorando de entendimento, primeiro passo oficial para fechar o negócio, e a Bahia está nos passos finais de finalização do documento.

Porém, pouco se sabe sobre a imunização. Batizada de Sputinik V, a vacina russa foi recebida com reservas pela comunidade científica internacional: sua aprovação aconteceu em tempo recorde e as pesquisas científicas sobre os resultados obtidos não foram publicadas em periódicos — segundo a Embaixada da Rússia, as informações aparecerão em revistas científicas na próxima semana.

O registro do medicamento ter sido feito antes da conclusão da fase 3 também levantou desconfianças. Nessa etapa de desenvolvimento de vacinas, a eficácia do imunizante é avaliada em um grande número de voluntários.

Os pesquisadores responsáveis pela vacina russa garantem que ela funciona, é segura, e possibilitará imunidade à doença por, no mínimo, dois anos.

Em discurso à Comissão Externa de Enfrentamento à Pandemia de Covid-19 da Câmara dos Deputados em 26/8, o diretor do Instituto Gamaleya, responsável pela vacina, Alexandre Guintsburg, explicou que a imunização funciona com uma tecnologia criada pelo próprio laboratório. O método já se provou eficiente em vacinas contra o Ebola e a Mers (causada por um parente do Sars-Cov-2), e foi adaptada para o novo coronavírus em cinco meses.

Em entrevista coletiva no dia 20/8, Denis Logunov, vice-presidente do Instituto Gamaleya, afirmou que, apesar de o registro já ter sido aprovado, a Rússia vai fazer a terceira fase do estudo clínico com 40 mil voluntários no país. Pelo cronograma, os testes vão seguir enquanto a população estiver sendo vacinada.

Anvisa
O acordo com o governo do Paraná prevê que a Rússia envie mais informações sobre as duas primeiras fases de testes. Depois de analisá-las, a unidade federativa deve, então, entrar com um pedido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e na Comissão Nacional de Ética e Pesquisa para fazer a terceira fase do estudo clínico e avaliar se a vacina, de fato, funciona.

Em nota, a Anvisa afirma que teve, nesta quinta (27/8), uma reunião com membros do governo do Paraná para tratar sobre o processo de registro da vacina russa. “Segundo a Tecpar, em cerca de 20 dias, os primeiros documentos serão protocolados na Anvisa, que já está mobilizada para o acompanhamento da solicitação”, afirma o órgão.

Segundo a assessoria de imprensa, a Anvisa também se reuniu, nessa quarta (26/8), com o secretário de Saúde do estado de São Paulo, Jean Carlo Gorinchteyn, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu, e o assessor especial do governo Antonio Imbassahy, para tratar dos testes e do registro da vacina chinesa CoronaVac.

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