Endocrinologista explica o que pode causar sarcopenia na juventude
A sarcopenia é uma condição mais comum no envelhecimento, mas causas secundárias podem provocar a condição ainda na fase jovem
atualizado
Compartilhar notícia

A sarcopenia ocorre quando há uma perda progressiva e generalizada da massa muscular, além da força e da função dos músculos. A condição é comum na terceira idade, porém, em alguns casos específicos, pode atingir jovens. Sem o tratamento adequado, o quadro pode causar perda de independência e maior risco de quedas e fraturas, além de fraqueza.
A sarcopenia é incomum entre jovens entre 20 e 30 anos, pois é quando está ocorrendo o pico da massa muscular, que se estabilizará e só irá regredir na terceira idade. No entanto, fatores de risco podem fazer com que a perda de músculos chegue mais cedo. Entre os principais estão:
- Uso indiscriminado de canetas emagrecedoras;
- Tabagismo e etilismo;
- Ocorrência de doenças intestinais, inflamatórias ou hepáticas;
- Distúrbios na tireoide;
- Quadros graves de asma com uso frequente de corticoides, pois o medicamento pode provocar perda de massa muscular quando utilizado muitas vezes;
- Sedentarismo extremo;
- Períodos prolongados de imobilização, como fraturas ou internações;
- Restrições alimentares importantes;
- Condições que prejudicam a absorção de nutrientes.
“Pode acontecer de um jovem não atingir o pico adequado de massa muscular e, com isso, desenvolver sarcopenia. Nesses casos, geralmente existe alguma condição associada, chamada de sarcopenia secundária. Já a sarcopenia primária – aquela relacionada principalmente ao envelhecimento – é mais característica dos idosos. Quando aparece em jovens, normalmente chama a atenção para alguma causa subjacente”, aponta a endocrinologista Claudia Schimidt, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.
Além de reduzir a mobilidade, aumentar o risco de quedas e lesões articulares, a sarcopenia favorece a ocorrência de problemas metabólicos, como resistência insulínica e obesidade.
“Quando se fala em sarcopenia, pensamos na musculatura da perna, do braço, mas temos que pensar no músculo do coração, pulmão e intestino. Em todos eles há musculatura. Com a diminuição da força, há mais chances de doenças pulmonares, cardíacas e intestinais”, explica a geriatra Priscilla Mussi, coordenadora de geriatria do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.
Importância do músculo em todas as idades
Ao falar de sarcopenia, também estamos abordando a importância dos músculos, seja entre jovens ou na terceira idade. A ocorrência da condição mostra a relevância de sempre ter uma reserva muscular para realizar tanto tarefas cotidianas simples quanto as mais complexas.
Além disso, é com o auxílio deles que nos tornamos mais resistentes a possíveis acidentes e controlamos melhor os processos metabólicos importantes no organismo. Uma reserva muscular em níveis altos é sinônimo de longevidade e imunidade.
“Estar ativo é extremamente relevante. Ter músculos que permitam realizar as atividades do dia a dia — caminhar, subir escadas, levantar objetos — já representa um grande benefício para a saúde. Portanto, mais importante do que um tipo específico de exercício ou uma fonte específica de proteína é manter a funcionalidade do corpo e preservar a saúde de forma geral”, ressalta a endocrinologista.
Como tratar a condição
Para diagnosticar a sarcopenia, são feitas avaliações da quantidade de massa muscular, da qualidade dela e de sua função. “A força da pressão palmar, para medir a força da mão, e o tempo para levantar de uma cadeira são alguns dos testes que utilizamos”, diz Priscilla.
Além disso, exames como a densitometria óssea e a bioimpedância, usados para avaliar a composição corporal, são indicados para complementar a análise do caso. Eles mostram se, mesmo com menos massa muscular, a força e a funcionalidade dos músculos estão preservadas ou não.

Caso a condição seja confirmada, o tratamento padrão é simples, mas capaz de reverter o quadro. A combinação entre a prática de musculação e uma dieta rica em alimentos proteicos é a terapia indicada. Em alguns casos, suplementos ou medicamentos também podem ser indicados.
Além de tratamento, a dupla terapêutica também é a mais indicada para prevenir a condição. “Primeiro, é preciso ter estímulo para o músculo. Depois, é necessário ter energia e nutrientes suficientes para construir esse músculo. Fazendo uma comparação simples: se quisermos construir um muro para proteger uma casa, precisamos do tijolo, do pedreiro e do motivo para construir o muro”, exemplifica Claudia.
