Nove em cada 10 informações sobre saúde nas redes são falsas, diz relatório
Relatório reuniu 764 alegações sobre saúde e identificou falsas curas, distorções de pesquisas e uso indevido da imagem de médicos
26/10/2026 16:31, atualizado 26/10/2026 16:32

Quase nove em cada dez alegações sobre saúde verificadas pela Agência Lupa entre 2017 e junho de 2026 eram falsas. Das 764 afirmações analisadas, 667 receberam a classificação, o equivalente a 87,3% do total.
O resultado está no relatório Raio-X da Desinformação em SaúdeCarregando PDF...
O percentual corresponde ao material selecionado e checado pela agência, sem representar todas as publicações sobre saúde na internet. Na base examinada, apenas 26 afirmações, ou 3,4%, foram classificadas como verdadeiras.

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Ver todasFalsa autoridade e medo ajudam a convencer
A estratégia mais frequente foi o uso de falsa autoridade médica ou científica, presente em 21,6% das alegações falsas. A prática inclui atribuir declarações inventadas a profissionais reais e retirar falas de contexto para dar credibilidade a informações enganosas. Outras estratégias recorrentes foram:
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência- Medo e linguagem alarmista, com 17,1%: mensagens que associam vacinas, tratamentos ou produtos a consequências graves.
- Distorção de estudos e dados, com 15,7%: apresentação de resultados científicos de maneira que altera seu significado.
- Soluções simples para problemas complexos, com 12,6%: promessas de cura rápida ou de substituição de tratamentos por receitas e produtos.
Entre 2025 e junho de 2026, a exploração do medo apareceu em 33,8% das alegações falsas, a maior participação proporcional entre os períodos analisados.
Das vacinas às promessas de cura
Durante a pandemia, a Covid-19 passou a dominar as verificações. Nos anos seguintes, ganharam espaço conteúdos que prometiam “desintoxicar” o organismo das vacinas e publicações sobre temas como a diabetes, o câncer e a nutrição.
A vacinação permaneceu como alvo da desinformação: das 244 alegações sobre imunizantes examinadas em todo o período, 212, ou 86,9%, eram falsas.
O relatório também identificou 18 verificações relacionadas ao uso comercial da desinformação. Em 17 casos, o conteúdo direcionava o público à compra de um produto ou serviço.
A diabetes foi a doença mais explorada, presente em sete das 18 verificações. As publicações prometiam controlar ou reverter a condição, dispensar insulina e outros medicamentos ou permitir uma alimentação sem restrições. Para convencer, os anúncios também imitavam páginas jornalísticas e usavam indevidamente imagens de médicos e celebridades.
Como enfrentar a desinformação
O documento recomenda que as plataformas priorizem denúncias de falsas curas, interrompam a monetização de conteúdos com alegações terapêuticas falsas ou sem comprovação e suspendam anúncios de produtos já alvos de alertas sanitários.
Para o público, a orientação é conferir a origem das informações e redobrar a atenção quando uma suposta descoberta termina na venda de um produto. Antes de interromper medicamentos, substituir tratamentos ou deixar de se vacinar, a recomendação é buscar orientação profissional.
