Mounjaro: entenda o que muda na prescrição após nova regra da Anvisa

Especialistas explicam o que a nova regra da Anvisa muda na prescrição da tirzepatida e por que o tema divide médicos e dentistas

atualizado

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Uma mulher segura uma caneta injetora Mounjaro - Agonorexia: saiba o que é e riscos das canetas emagrecedoras - Metrópoles
1 de 1 Uma mulher segura uma caneta injetora Mounjaro - Agonorexia: saiba o que é e riscos das canetas emagrecedoras - Metrópoles - Foto: Matthew Horwood/Getty Images

A recente atualização feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o uso da tirzepatida, medicamento vendido como Mounjaro, alterou quem pode prescrever o remédio no país.

Ao incluir, em outubro, a indicação do remédio para o tratamento da apneia obstrutiva do sono associada à obesidade, a agência acabou ampliando o grupo de profissionais aptos a indicar a terapia. Com isso, além dos médicos, cirurgiões-dentistas também passaram a poder prescrever o fármaco em situações relacionadas à apneia.


Por que a Anvisa alterou a regra de prescrição?

  • A alteração ocorreu porque a AOS é uma condição que, em muitos casos, também é investigada e acompanhada na odontologia.
  • A interpretação técnica abriu margem para que dentistas incluam a tirzepatida no manejo desses pacientes.
  • A mudança, no entanto, vem gerando divergências entre conselhos e entidades profissionais.

O Conselho Federal de Odontologia (CFO) afirma que a prescrição dentro da área de atuação da odontologia é uma prerrogativa prevista em lei, mas ressalta que o ato exige cautela. A entidade destaca que o uso do Mounjaro envolve um nível maior de responsabilidade, já que o medicamento é indicado exclusivamente para pessoas com obesidade e, muitas vezes, com histórico clínico complexo ou em uso de outras medicações.

“O cirurgião-dentista deve estar ciente que essa indicação pode resultar em efeitos colaterais do próprio remédio ou de eventuais interações medicamentosas. A orientação do CFO é de que a prescrição seja feita com autonomia, mas de forma responsável, com acompanhamento multidisciplinar”, informou o conselho em comunicado.

O que dizem as entidades médicas

Para especialistas da área médica, a possibilidade de prescrição por dentistas não é adequada. Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), explica que a tirzepatida recebeu aprovação específica para tratar a apneia do sono em pessoas com obesidade, grupo que exige avaliação clínica ampla.

Ele destaca que os resultados que embasaram a liberação ocorreram em pacientes com apneia moderada a grave e perda média de 20% do peso corporal durante o tratamento.

“Estamos falando de uma medicação que exige diagnóstico correto da obesidade, acompanhamento de efeitos colaterais e manejo de uma doença crônica complexa”, afirma.

Para ele, apesar de dentistas atuarem no acompanhamento de alguns casos de apneia, isso não significa que devem prescrever o medicamento. “Não faz sentido que dentistas indiquem tirzepatida para essa finalidade específica”, diz.

Halpern ressalta que o debate não deveria se concentrar em restringir tratamentos, mas em evitar a banalização. “O que queremos é que pessoas responsáveis prescrevam mais tratamentos para obesidade de forma séria. Dentro desse contexto, não vejo a prescrição por dentistas como algo positivo para a sociedade”, diz.

A Associação Paulista de Medicina (APM) também defende que apenas médicos prescrevam tirzepatida. A entidade reforça que o remédio exige avaliação completa do paciente, já que condições como nódulos de tireoide, pancreatite, cálculos biliares, uso de insulina ou histórico cardiovascular podem alterar totalmente a conduta.

Segundo o presidente da APM, Antonio José Gonçalves, a prescrição não pode ser tratada como um procedimento simples.

“É um medicamento que requer análise do quadro clínico como um todo. Há contraindicações absolutas e riscos sérios se ele for usado sem acompanhamento adequado”, afirma.

Gonçalves também alerta para o risco de uso inadequado para fins estéticos. “A banalização prejudica a segurança dos pacientes e compromete o entendimento de que a obesidade é uma doença que precisa ser tratada com critério”, explica.

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