Mitos e verdades sobre a alimentação de pacientes com câncer

Para conter fake news, Instituto Nacional do Câncer desmente em cartilha boatos sobre alimentos que curam ou causam a doença

atualizado 25/02/2019 20:14

antonio arcos aka fotonstudio , Getty Images

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) mantém uma cartilha on-line para desmentir algumas crenças falsas que são espalhadas, principalmente por meio das redes sociais, sobre os benefícios das dietas restritivas e do consumo de determinados alimentos para cura do câncer.

O material reforça que não há alimentos milagrosos como se diz sobre cogumelo-do-sol, noni, graviola, chá de graviola, chá-verde, entre outros que são frequentemente associados à cura da doença. O Inca afirma que “existem evidências claras de que uma alimentação saudável auxilia na prevenção e no tratamento do câncer. Quanto mais colorida for a sua alimentação, mais fortalecidas estarão as defesas do seu corpo e menores serão as chances de prejuízos no seu estado nutricional durante o tratamento”.

Um dos principais pontos desmentidos pela cartilha é que carboidratos como arroz, farinha, açúcar e pão seriam usados como alimentos pelo tumor do câncer e, se consumidos, poderiam atrapalhar a quimioterapia. O que acontece é que carboidratos são transformados pelo corpo em energia para todas as células, inclusive as cancerígenas. “Em vez de se preocupar em cortar os carboidratos, é mais importante se preocupar em consumir esse nutriente vindo de alimentos frescos, como grãos, cereais, frutas e verduras. Evite os carboidratos presentes em alimentos ultraprocessados”, alerta o material.

Segundo a cartilha, alguns estudos feitos em laboratório com células e em animais concluíram que a restrição de glicose em forma de carboidratos pode reduzir o crescimento de tumores. Mas não há evidências suficientes ainda de como isso funcionaria no corpo humano. O Inca, no entanto, admite que alguns cientistas estão estudando o efeito de determinadas dietas na resposta ao tratamento do câncer, mas os resultados são inconclusivos.

Outro grande mito é que o consumo de proteínas animais, como carne vermelha, queijos e ovos, deve ser eliminado do cardápio do paciente com câncer, pois alimentaria o tumor. Novamente, o Inca rechaça essa informação: de acordo com o instituto, “a proteína é o principal componente estrutural das células, desempenhando importantes funções no nosso organismo, como transporte de substâncias no sangue, síntese de hormônios e construção dos músculos”.

O material aponta que a perda muscular é uma consequência natural do câncer e, portanto, a não ingestão de proteína pode agravar ainda mais esse quadro. Por isso, a recomendação é que se consuma proteínas de origem animal e vegetal, como grão-de-bico, lentilha, ervilha, castanhas, peixe, frango e carne vermelha. Segundo a cartilha, a carne vermelha pode ser consumida desde que não se ultrapasse 500 g por semana (porção da carne já cozida).

O material pede, contudo, que os pacientes evitem o consumo de carnes processadas, como presunto, salsicha, linguiça, bacon, salame, peito de peru defumado e blanquette de peru.

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