Mito ou verdade: segurar o xixi faz mal à saúde?

Todo mundo faz, mas é contraindicado. Especialista explica prejuízos que podem surgir por causa do hábito de enrolar para ir ao banheiro

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atualizado 08/11/2019 20:36

Que os tempos estão cada vez mais corridos, todo mundo sabe. Há quem se deixe levar pela rotina apertada e esqueça até de fazer xixi (ou adote o hábito de segurar a urina para “não perder tempo”). A atitude, contudo, não faz bem à saúde. “A bexiga é um órgão elástico e tem um limite. Se a pessoa adota o comportamento de segurar a urina pode fazer com que o órgão fique mais complacente ou “frouxo”, falando de maneira leiga”, explica Maria Letícia Cascelli, nefrologista e diretora da Clínica de Doenças Renais de Brasília.

Além de prejudicar a estrutura da bexiga, segurar o xixi por longos períodos pode causar infecções urinárias e, em casos mais graves, até mesmo comprometer a função renal.  A urina é a forma que o organismo tem de eliminar substâncias tóxicas ao corpo. “A partir do momento que a pessoa começa a reter a urina, gera uma pressão na bexiga”, detalha a médica. “Essa pressão, ao longo do tempo, pode fazer com que ela retorne aos rins, prejudicando a função do órgão a longo prazo.”

Há, ainda, casos em que o indivíduo segura a urina involuntariamente, sem perceber. A situação pode ocorrer quando há condições médicas específicas, como aumento da próstata ou prolapso uterino (quando os músculos pélvicos não conseguem mais sustentar o útero, que “desce” para o canal vaginal e/ou para a vulva). Nas mulheres, além do prolapso uterino, tumores também podem causar retenção de urina.

Mas afinal, há uma frequência adequada para ir ao banheiro? Não há uma regra rígida, mas o ideal é que seja de três a oito vezes ao dia, segundo Cascelli. Se a frequência está maior que oito vezes diárias, é bom prestar atenção, pois isso também pode indicar algum problema de saúde. “O espaço entre o esvaziar da bexiga deve ser a cada duas ou três horas. Não é bom passar disso, mesmo que a pessoa não esteja com muita vontade”, ensina a nefrologista.

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