Misturar vacinas contra Covid-19 aumenta chance de efeito colateral

Segundo pesquisa da Universidade de Oxford, sintomas após vacinação foram mais comuns entre pessoas imunizadas com fórmulas diferentes

atualizado 13/05/2021 12:29

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Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, descobriram que pessoas imunizadas com um esquema combinado de vacinas contra Covid-19, usando doses da AstraZeneca e da Pfizer, apresentaram efeitos colaterais leves e moderados mais frequentemente em relação aos que tomaram o esquema completo de um único imunizante.

Os principais sintomas relatados foram febres, arrepios e dores de cabeça de curta duração. O objetivo dos cientistas é descobrir se a combinação de imunizantes pode fazer com que a resposta imunológica seja potencializada.

O estudo “Comparando Combinações de Cronograma de Vacinas da Covid” (Com-COV, na sigla em inglês), é o primeiro no mundo a analisar a mistura de vacinas contra o novo coronavírus. Os resultados preliminares foram publicados em uma carta no jornal The Lancet. Os dados completos devem ser divulgados em junho.

Na pesquisa, os cientistas avaliaram a resposta de 463 pessoas, com idades entre 50 e 69 anos, à combinação de vacinas em um intervalo de quatro semanas. Os resultados mostraram que 33% das pessoas que receberam uma dose da vacina AstraZeneca e, em seguida, o reforço com a da Pfizer sentiram calafrios; 41% dos que receberam Pfizer e depois AstraZeneca relataram febre.

De acordo com o professor Matthew Snape, vacinologista e pesquisador-chefe do estudo, ainda não está claro se as taxas mais altas de efeitos colaterais significam que a vacina está desencadeando uma resposta imunológica mais forte.

“O quadro completo ficará aparente quando tivermos a leitura do anticorpo também, e então poderemos ver se isso levou ou não a uma resposta imunológica melhorada”, disse Snape em um briefing à imprensa. “Sabemos que, a nível individual, isso nem sempre se aplica, mas você gostaria de pensar que, se teve uma reação à vacina realmente forte e teve febre, isso significa que tem uma resposta imunológica melhor”, completou.

Até aqui, a orientação das agências de vigilância sanitária do mundo é de que as pessoas recebam as duas doses do mesmo fabricante devido a falta de dados sobre a mistura de fórmulas.

O Reino Unido, assim como o Brasil, registrou vários casos de pessoas que acabaram tomando a segunda dose errada, mas as autoridades de saúde acredita que isso não cause problemas aos vacinados. Na França, o governo passou a usar a vacina da Pfizer para os que receberam a primeira dose da AstraZeneca após os relatos de formação de coágulos sanguíneos.

Saiba como as vacinas contra Covid-19 atuam:

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