Ministra do MCTI: “Queremos garantir qualidade de vida às mulheres”. Veja Vídeo
Em visita ao Metrópoles, ministra Luciana Santos destacou edital que vai investir em pesquisas científicas para o tratamento da endometriose
atualizado
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De acordo com dados divulgados pelo governo federal, entre 2 milhões e 8 milhões de mulheres em idade reprodutiva sofrem com endometriose no país. A condição pode afetar drasticamente as atividades do dia a dia e impactar diretamente o desempenho em ambientes de trabalho e escolares.
Esse cenário, no entanto, promete mudar com um novo investimento direcionado a pesquisas científicas e ao desenvolvimento tecnológico voltados para a saúde menstrual. A parceria público-privada foi anunciada nesta terça-feira (9/6) pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Em visita ao Metrópoles e entrevista à rádio, nesta quarta-feira (10/6), a ministra do MCTI, Luciana Santos, destacou que o projeto é um passo fundamental para enfrentar a realidade de meninas e mulheres que convivem com a endometriose ou outras condições relacionadas à saúde menstrual.
“É um passo importante para enfrentar uma situação com a qual hoje meninas e mulheres convivem, muitas vezes sob o estigma do preconceito, sem entender direito o que está se passando”, afirmou a ministra.
Segundo a pasta, serão investidos R$ 60 milhões no total. Desse montante, R$ 50 milhões virão do MCTI, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), destinados a soluções que serão aplicadas diretamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Os R$ 10 milhões restantes serão aportados pelo Instituto Alana.
“Nós vamos cuidar e garantir qualidade de vida para as mulheres que muitas vezes não vão à escola, não vão para o mercado de trabalho, e ainda são acusadas de estarem com mi-mi-mi”, destaca Luciana.
Atualmente, a precariedade na abordagem do tema — seja no SUS ou em consultórios privados — faz com que a maioria das mulheres não receba o diagnóstico correto e, consequentemente, fique privada do tratamento adequado. Há, ainda, uma defasagem nos protocolos de diagnósticos e na associação de informações associadas ao Ministério da Saúde em relação à doença.
Apesar dos gargalos, a ministra Luciana pontuou que um protocolo estabelecido há cerca de um ano visa enfrentar os desafios das pacientes que convivem com a endometriose e dores pélvicas crônicas.
No anúncio do edital, o ministro Alexandre Padilha ressaltou que a parceria é um avanço que trará mais recursos para a área. “Nós temos o compromisso de construir uma política pública robusta para as mulheres. Certamente esse edital vai mobilizar muitos pesquisadores no país para trazerem mais soluções tecnológicas para o SUS e cuidar das mulheres brasileiras”, disse.
O ponto de virada para o investimento na saúde da mulher
Em 2025, o MCTI e o Instituto Alana firmaram um protocolo com a perspectiva de construir uma rede de cientistas e pesquisadores. O objetivo era criar uma agenda focada em orientar e garantir eficácia nas soluções para o tema.
Agora, com o lançamento oficial do edital, a meta é estruturar uma rede nacional de pesquisa com foco em endometriose, dores pélvicas e saúde menstrual, que será formada a partir dos projetos selecionados pelo ministério.
Como funcionará a parceria público-privada
Os editais são voltados para a participação de universidades e institutos federais que desenvolvam pesquisas sobre o assunto, permitindo a criação de indicadores que ajudarão o SUS a mapear os dados nacionais.
A partir das informações coletadas nas próprias unidades de atendimento, serão estruturados protocolos básicos de assistência, complementando os já existentes.
Incentivo e investimento para mulheres na ciência
De acordo com a ministra, o governo federal também desenhou uma programação para ampliar a presença feminina nas áreas científicas do país, utilizando políticas públicas direcionadas à equidade de gênero. Atualmente, a permanência e o estabelecimento de pesquisadoras nesses campos ainda configuram um grande desafio.
“A gente já garantiu R$ 1,7 bilhão em investimentos com corte de gênero para estimular a participação da mulher e para que elas tenham uma presença maior na ciência. Mas ainda há uma dificuldade para a permanência e a ascensão na carreira”, concluiu a ministra Luciana Santos.