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O Brasil está oficialmente capacitado a atuar em emergências de saúde além de suas fronteiras. O Ministério da Saúde apresentou uma equipe de 35 profissionais da saúde e de áreas consideradas estratégicas que, a partir de agora, fazem parte de um programa da Organização Mundial da Saúde (OMS) preparado para agir em surtos, epidemias e crises humanitárias, quando houver necessidade.

Outros nove países têm equipes treinadas pela organização para o enfrentamento de crises extremas: Alemanha, Austrália, China, Costa Rica, Equador, Israel, Japão, Nova Zelândia, Reino Unido e Rússia. A entrada do Brasil, apresentada pelo Ministério da Saúde na última sexta-feira (6), no time de elite atende a um pedido da própria OMS, feito pelo diretor-geral da entidade, Tedros Ghebreyesus, quando visitou o país, em março passado.

Na visão do secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Osnei Okumoto, a escolha do Brasil é um reconhecimento à expertise do país em atendimento “rápido e eficiente” em outras situações de surtos e desastres. “Gosto sempre de lembrar do caso do zika e da epidemia de microcefalia que se seguiu, quando o Brasil conseguiu agir de forma imediata”. Ele lembra ainda a expedição brasileira ao Haiti, em 2011, e o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, em 2013.

“Nos casos de desastres e surtos sempre demonstramos nossa capacidade de atendimento rápido e eficiente”, disse.

O time é heterogêneo e reúne especialistas do Sistema Único de Saúde, Ministério da Defesa e da Integração Nacional de todas as regiões do país. A maioria já têm experiência com atendimentos internacionais – como nos casos dos terremotos do Haiti e do Chile, em 2010.

Treinamentos
Até o fim do ano, eles passarão por quatro oficinas de capacitação na sede da OPAS/OMS em Brasília – sendo um deles um simulado de situação de emergência. As equipes são treinadas de acordo com o protocolo do programa, chamado Equipes Médicas de Emergência (EMT), dividido em quatro tipos: atenção ambulatorial de emergência (tipo 1), atenção cirúrgica de emergência de nível hospitalar (tipo 2) e atenção hospitalar de referência (tipo 3). Para montar um hospital de nível 2, por exemplo, são necessárias de 20 a 30 toneladas de equipamentos e suprimentos para profissionais e pacientes.

“Quando você chega em um país já fragilizado por uma situação de crise, com o sistema de saúde afetado por um desastre, por exemplo, é preciso evitar sobrecarregar ainda mais o sistema do país. Essa equipe internacional precisa ser autossuficiente”, explicou Fábio Evangelista, consultor para desastres da OPAS/OMS.

Ele acrescentou ainda que o convite ao Brasil foi feito levando-se em consideração a “expertise” do país em desastres e surtos de saúde. “Essa equipe precisa se reunir de maneira rápida e eficiente. O Brasil tem uma resposta bastante eficiente a situações assim. Já foi construída aqui uma expertise”, sublinhou.

A participação das equipes EMT da OMS em tragédias e emergência se dá por demanda – os profissionais continuam atuando normalmente em suas áreas de trabalho e são recrutados caso a organização convoque o time brasileiro.

A capacitação brasileira acontece em meio a um novo surto de ebola, dessa vez na República Democrática do Congo, anunciado oficialmente pela Organização Mundial de Saúde em 8 de maio. Desde então, 22 mortes foram confirmadas. Em 2015, a epidemia da febre hemorrágica de ebola na África matou 11 mil pessoas.

 

 

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