Médico associa dose mais forte de Viagra a problemas de visão

Em artigo publicado em revista científica, profissional relata ter atendido 17 homens que sentiram distúrbios oculares após dose de 100 mg

Pfizer/ReproduçãoPfizer/Reprodução

atualizado 14/02/2020 19:42

Um artigo científico publicado na revista Frontiers in Neurology alerta para um efeito indesejado do sildenafil, princípio ativo do viagra.

De acordo com o autor, Cüneyt Karaarslan, entre agosto de 2017 e março de 2019, 17 pacientes relataram problemas de visão depois de terem tomado a dose máxima do remédio pela primeira vez. O medicamento, considerado como um dos mais bem-sucedidos da indústria farmacêutica em relação a vendas, é comercializado em versões de 25 mg, 50 mg e 100 mg.

Os pacientes que procuraram o hospital onde Cüneyt Karaarslan atende, na Turquia, apresentaram pupilas anormalmente dilatadas, extrema sensibilidade à luz, visão turva prolongada e, alguns, chegaram até a confundir as cores em episódios de daltonismo. Em comum, eles haviam feito uso do sildenafil pela primeira vez, sem prescrições médicas, em sua dose máxima, de 100 mg.

O viagra inibe uma enzima chamada fosfodiesterase 5 (PDE5), que atua sobre os vasos sanguíneos, melhorando a circulação, o que ajuda na ereção do pênis. Mas também interrompe a produção de outra enzima, conhecida como fosfodiesterase tipo 6 (PDE6), que é importante para a visão.

Na bula do medicamento, há um alerta sobre a visão turva como um possível efeito colateral. Mas, nos casos relatados no artigo médico, o efeito indesejado teria durado até 21 dias, muito mais tempo do que a duração dos efeitos do medicamento.

O autor acredita que parte dos homens não se livra das substâncias da maneira padrão por isso os efeitos teriam perdurado para além do previsto.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a fabricante do viagra afirmou que, conforme o próprio estudo indica, a resolução do quadro aconteceu em menos de três semanas após a interrupção do uso do medicamento.

A Pfizer também reforça que o viagra deve ser comercializado somente com prescrição médica, pois o paciente precisa passar por avaliação antes de utilizar a medicação.

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