Estudo identifica marcador para prever evolução do câncer de estômago
O novo marcador combina informações sobre a gordura visceral e a massa muscular obtidas em tomografias

Uma medida obtida a partir de exames de tomografia computadorizada pode ajudar a identificar quais pacientes com câncer de estômago têm maior risco de evolução desfavorável da doença. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e publicada na revista Clinical Nutrition ESPEN em 21 de março.
O novo marcador combina informações sobre a gordura visceral e a massa muscular obtidas em tomografias de acompanhamento dos pacientes. Segundo os pesquisadores, o marcador poderá futuramente complementar a avaliação tradicional baseada nas características do tumor e oferecer uma estimativa mais precisa de prognóstico.
O estudo analisou dados de 461 pacientes atendidos na Unicamp ao longo de quase dez anos.
Sintomas de câncer de estômago
- Os sintomas do câncer de estômago, também chamado de câncer gástrico, são inespecíficos, mas costumam estar associados à má digestão.
- Alguns sinais, como perda de peso e de apetite, fadiga, sensação de estômago cheio, vômitos, náuseas e desconforto abdominal persistente podem indicar tanto uma doença benigna (úlcera, gastrite, etc.) quanto um tumor de estômago.
- Sangramentos gástricos são frequentes no câncer de estômago, entretanto, o vômito com sangue ocorre em poucos casos.
- Fezes escurecidas, pastosas e com odor muito forte são indicativos de sangue digerido e podem ser sinal do tumor.
- Caso qualquer um desses sintomas dure mais de duas semanas, é preciso buscar orientação médica.
Como o marcador funciona
Atualmente, a principal ferramenta usada para definir o prognóstico de um paciente é o estadiamento do câncer, que considera fatores como o tamanho do tumor e a presença de metástases.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaNo entanto, pessoas com a mesma classificação podem apresentar evoluções bastante diferentes. Por isso, a equipe decidiu investigar características do próprio organismo do paciente.
Os pesquisadores analisaram a composição corporal por meio de tomografias, avaliando a radiodensidade da gordura visceral e dos músculos da região abdominal. A radiodensidade indica como cada tecido aparece na tomografia e pode mostrar alterações relacionadas ao metabolismo e à inflamação provocadas pela doença.
A partir dessas informações, foi criado um novo indicador chamado VMD, sigla em inglês para diferença entre a radiodensidade da gordura visceral e do músculo.
Diferença na sobrevida
Os pesquisadores observaram uma diferença importante entre os grupos avaliados. Pacientes com valores mais altos do novo marcador viveram menos tempo, em média, do que aqueles com valores mais baixos.
A sobrevida mediana foi de 13,8 meses entre os pacientes classificados como de maior risco, enquanto no grupo de menor risco, ela chegou a 58,5 meses.
Segundo os autores, o marcador reúne informações sobre alterações na gordura e nos músculos que podem refletir o estado inflamatório e metabólico do organismo. Isso permite uma avaliação mais completa da condição do paciente e ajuda a explicar por que pessoas com o mesmo estágio da doença podem ter evoluções diferentes.
Inteligência artificial ajudou na análise
Para desenvolver o marcador, a equipe utilizou técnicas de inteligência artificial baseadas em aprendizado de máquina.
Em vez de analisar uma variável por vez, os pesquisadores processaram simultaneamente exames de imagem, dados clínicos e informações laboratoriais para identificar quais combinações separavam melhor os pacientes com maior e menor risco.

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Ver todasOutro cuidado foi reduzir diferenças causadas pelos próprios aparelhos de tomografia. Para isso, os cientistas utilizaram a diferença entre as medidas de gordura e de músculo, tornando o marcador menos sensível a variações entre equipamentos.
Próximos passos
Os pesquisadores ressaltam que os resultados ainda precisam ser confirmados em estudos com um número maior de pacientes. Também é necessário ampliar a análise em diferentes centros de pesquisa antes que o marcador possa ser usado na prática clínica.
Segundo a equipe, os próximos trabalhos deverão investigar se o marcador realmente pode ajudar na escolha do tratamento e se mudanças na condição física e nutricional do paciente ao longo do tratamento podem alterar esse indicador e influenciar a evolução da doença.



