Nutris explicam se comer manga é seguro para pessoas com diabetes

Fruta é nutritiva, mas o consumo exige atenção à porção, à forma de preparo e ao contexto da refeição para não elevar a glicemia

atualizado

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Imagem mostra várias mangas dentro de um recipiente de madeira em cima de um gramado. Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra várias mangas dentro de um recipiente de madeira em cima de um gramado. Metrópoles - Foto: Getty Images

Doce, suculenta e muito popular no Brasil, a manga costuma entrar na lista das frutas preferidas de muita gente. Rica em vitaminas, fibras e antioxidantes, ela traz vários benefícios à saúde.

Ainda assim, quando o assunto é diabetes, a fruta costuma gerar dúvidas e dividir opiniões sobre o quanto seu consumo é seguro para pessoas com diabetes e em quais quantidades.

Para a nutricionista Rejane Prado, do hospital Mantevida, diabéticos não precisam excluir a manga da alimentação.

“Ela pode ser consumida, sim, desde que com moderação e dentro de um plano alimentar individualizado. A fruta contém carboidratos naturais que impactam a glicemia, por isso o consumo deve ser consciente”, afirma.

O nutricionista Fernando Castro, que atua em Brasília, reforça que o problema não está na fruta em si, mas na forma como ela é consumida.

Segundo ele, a manga é nutritiva e reúne fibras, antioxidantes e compostos bioativos importantes. “O risco aparece quando há excesso, consumo frequente sem critério ou quando ela é ingerida isoladamente, fora do contexto da refeição”, explica.

Como a manga interfere na glicemia

A manga tem índice glicêmico considerado moderado, mas esse valor não é fixo. Fernando explica que o grau de maturação influencia diretamente a resposta do organismo.

“Quanto mais madura a manga, maior tende a ser o impacto glicêmico. Não basta olhar apenas o índice glicêmico, a carga de glicose, que leva em conta a quantidade consumida, é ainda mais relevante”, diz.

Na prática, isso significa que pequenas porções costumam ser melhor toleradas, especialmente por pessoas que mantêm um bom controle metabólico. O consumo exagerado, por outro lado, pode elevar a glicemia de forma mais aguda.

Combinar alimentos faz diferença

Uma forma eficaz de reduzir o impacto da manga no açúcar do sangue é combiná-la com outros alimentos. Quando se associa a fruta a fontes de proteína, fibras ou gorduras boas, a absorção dos carboidratos acontece de maneira mais lenta.

“Consumir manga com iogurte natural, oleaginosas ou sementes, por exemplo, favorece uma resposta glicêmica mais estável”, orienta Rejane. Esse cuidado é especialmente relevante para pessoas com diabetes, já que refeições mais equilibradas ajudam a evitar elevações rápidas da glicose.

Fernando destaca que a melhor opção é consumir a fruta in natura. “Quando a manga é ingerida inteira, as fibras são preservadas e contribuem para um controle maior da absorção do açúcar”, explica.

Já o suco de manga, mesmo sem açúcar adicionado, concentra os carboidratos e perde boa parte das fibras, o que faz a glicose chegar mais rapidamente à corrente sanguínea.

Preparações industrializadas, como polpas adoçadas, geleias e doces, devem ficar fora da rotina. “Esses produtos costumam ter açúcar adicionado e uma carga glicêmica elevada”, alerta.

O suco de manga ajuda a concentrar o açúcar da fruta e deve ser evitado

Quando a manga pode entrar no cardápio

De acordo com Fernando, a manga pode fazer parte da alimentação de pessoas com diabetes em situações específicas. “Ela pode ser incluída em porções adequadas, preferencialmente in natura, associada a outros alimentos e dentro de um plano alimentar individualizado”, afirma.

O consumo tende a ser mais seguro para quem mantém bom controle da glicemia, pratica atividade física regularmente ou consome a fruta após refeições completas.

Ainda assim, o acompanhamento profissional é fundamental. “Cada pessoa responde de uma forma diferente. Ajustar quantidade e frequência de acordo com o perfil metabólico faz toda a diferença”, conclui.

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