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Saúde

Japão inicia transplante de células-tronco para tratar Parkinson

Terapia usa células produzidas em laboratório para repor neurônios que fabricam dopamina e foram perdidos em pacientes com Parkinson

31/10/2026 11:39
FG Trade/ Getty Images
Foto colorida de uma pessoa jovem segurando mãos de um idoso - Metrópoles

Um paciente recebeu, pela primeira vez, um transplante de células-tronco para tratar a doença de Parkinson no Japão. O procedimento foi realizado neste mês de outubro, no Hospital Universitário de Quioto, após a aprovação condicional da terapia no país. A informação foi divulgada pela farmacêutica Sumitomo Pharma, responsável pelo tratamento.

A técnica utiliza células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como iPS, produzidas a partir de células adultas de pessoas saudáveis. Elas são modificadas em laboratório para se transformar em células precursoras dos neurônios que produzem dopamina, substância que participa do controle dos movimentos e fica em falta em pessoas com Parkinson.

A proposta é repor parte das células perdidas com a doença, em vez de apenas controlar os sintomas.

Como funciona o tratamento

As iPS são obtidas a partir de células adultas que têm uma função definida no organismo. Em laboratório, os pesquisadores fazem essas partículas voltarem a um estágio semelhante ao das células jovens, com capacidade de se transformar em diferentes tipos de tecido.

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No tratamento para Parkinson, elas são direcionadas para se tornarem precursoras de neurônios produtores de dopamina. Depois, milhões dessas células são implantadas no cérebro do paciente.

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A doença de Parkinson provoca a perda progressiva de neurônios responsáveis pela produção de dopamina. A redução da substância prejudica a comunicação entre áreas do cérebro envolvidas no controle dos movimentos e pode causar tremores, rigidez muscular e lentidão. Os tratamentos disponíveis ajudam a controlar esses sintomas, mas não interrompem a progressão da doença.

Estudo acompanhou sete pacientes

A aprovação da terapia no Japão ocorreu em março, depois de resultados de um ensaio clínico com sete pacientes entre 50 e 69 anos. Os participantes receberam implantes de cinco ou 10 milhões de células em cada lado do cérebro.

Durante dois anos de acompanhamento, os pesquisadores não identificaram efeitos adversos graves. Quatro dos sete pacientes apresentaram melhora nos sintomas.

Os resultados fizeram parte do processo que levou à autorização condicional do tratamento no país. A aprovação permite que a terapia seja utilizada, mas está vinculada às condições estabelecidas pelas autoridades japonesas.

A Sumitomo Pharma informou que pretende realizar transplantes em 20 a 30 pacientes até março de 2029. A farmacêutica também conduz um ensaio clínico nos Estados Unidos para avaliar a terapia.

Apesar dos resultados iniciais, o tratamento ainda precisa ser acompanhado em mais pacientes para que os pesquisadores avaliem a segurança e eficácia ao longo do tempo.